Ed. 001 - 28/02/1997

PRIVATIZAÇÃO DE FURNAS – REDENÇÃO DE 34 MUNICÍPIOS

encostaHá pouco mais de 30 anos, 34 municípios mineiros viam suas terras mais férteis, as de várzeas, serem inundadas pelas águas de Furnas.

Era um absurdo. Perder terras férteis, apenas para gerar energia. Desapropriações irrelevantes. Gado e plantações perdidos. Terras em desvalorização ascendente… Famílias inteiras abandonando suas terras, quando não, suas cidades natais, onde seus pais, avós, ou bisavós, haviam fincado suas raízes. Alguns suicídios, outros levados à loucura. O povo de 34 municípios, com muita razão, se voltando de costas para o lago.

Os anos se passaram. Os tempos foram mudando, e com eles as mentalidades, a cultura, os hábitos e as oportunidades de novos negócios.

A indústria do turismo, ainda incipiente e restrita só às grandes cidades como Rio, São Paulo, Salvador e outras, para ficar só no Brasil, esta mesma indústria, foi evoluindo, se transformando.

Começou o turismo histórico em Minas Gerais. Veio o turismo de negócios. Chegou o turismo voltado ao lazer. E com ele, a hora e a vez de alguns daqueles 34 municípios outrora parcialmente inundados.

Aqui no nosso, apareceram alguns “forasteiros”, o termo é carinhoso, que com poucos recursos mas como muita vontade implantaram alguns pequenos empreendimentos, atraindo amigos e investidores que em curto espaço de tempo fizeram deste local, sua opção primeira quando é chegada a hora do lazer, sempre tranqüilo e saudável…

Em Pimenta e Capitólio, idem, idem. Isto para ficar só por aqui no chamado lago norte.

E os investimentos foram se multiplicando. As obras de implantação surgindo.Fazendas foram loteadas. De um curral mal coberto de telhas, criou-se o Furnastur. Mais tarde o Náutico. Antes, ali do outro lado de PonteVila o FIC. De outro galpão de Fazenda nasceu o Encosta do Lago. O Marina, o Lagomar, Edentur, Mangueirão, Marina e outros. Mais de mil residências, muito mais, foram construídas as margens de Furnas.Grandes investidores começaram a ser atraídos. Mega-projetos começam a se tornar realidade.(Marina Porto Minas).

Milhares de empregos foram criados. Milhões sei mais lá de que, se de cruzeiros, cruzados, cruzeiros novos, reais ou dólares foram investidos na região… Transformados em mão de obra, em materiais de construção, em prestação de serviços, em melhoria de vida para milhares de pessoas que direta ou indiretamente partilharam daqueles benefícios.

Depois, veio o asfalto. Beneficiou apenas uma parte, mas conseguiu gerar a expectativa e impulsionou o progresso mesmo na fatia de terra não atingida por ele…O mesmo se deu com o trifásico. O importante é que a coisa não parou. Aqueles clubes pequenos agora, já são maiores. As casas, antes simples e acanhadas começaram a disputar espaço com luxuosas mansões… Formiga, e disto pode se orgulhar, tem hoje, o ancoradouro mais moderno da América do Sul em águas internas. Sim, isto mesmo. É o do Furnastur. Tem também dentre os 34 municípios o maior e mais bem equipado Barco de passeios. É o Sta. Maria, de propriedade do Encosta do Lago. Está aqui, em nossa terra a maior concentração de clubes náuticos e de áreas de lazer do Lago de Furnas. Formiga tem a maior capacidade receptiva de turistas nas margens do lago, e, tem é claro as mais belas vistas do mesmo lago, este MAR DE MINAS, que Deus houve por bem colocar estrategicamente aqui, nos dando a condição de reivindicar o título de Portal. Quem afirma isto não somos nós, apaixonados empresários da região, portanto, suspeitos para falar. São nossos milhares de turistas que a assiduamente vem nos visitar e trazer seus recursos para serem gastos aqui.

Por tudo isto Sr. Prefeito, e muito mais, é que este jornal abraça a campanha do deputado ADEMIR LUCAS, que se propõe a defender lá na Câmara Federal a privatização de Furnas.  Sim, porém com a retirada de um percentual que venha de imediato para o Estado de Minas Gerais, como forma antecipada de pagamento dos royalties devidos por Furnas aos municípios inundados. Vamos juntos, os 34 municípios brigar para que 5% da alienação do patrimônio de Furnas, seja imediatamente transferido ao Estado de Minas Gerais, e para que o Governo do Estado, implante já, o previsto no Plano Diretor do Lago de Furnas, projeto brilhante desenvolvido pelos espanhóis (GERC INATUR), sobre o patrocínio da atual administração estadual, quando ainda era secretario o deputado Ademir Lucas. O senhor, Dr.EDUARDO BRAS, prefeito deste município, sendo companheiro de partido do deputado Ademir e do Governador do Estado, não pode deixar passar esta oportunidade, nem deve, pois capacidade para liderar a aglutinação dos 34 municípios em torno desta idéia, todos sabemos, não lhe falta.  Não se esqueça Sr. Prefeito, esta talvez seja a única e real oportunidade deste município retomar o crescimento econômico rapidamente, via implantação da indústria turística.  Sua capacidade de liderança já provada, nos faz antever que o Pro-Furnas desta vez não assistirá a ascensão rápida de outras ONGS aqui não sediadas, e que só se criaram, graças a nossa total inoperância, quando nos omitimos enquanto município, deixando escapar lá para o outro lado do lago, organismos de vital importância como a Alago.

Ed. 21 - 18/07/97

Privatização de Furnas. Procura-se líderes para defender o
Estado e o Município

furnas1A Folha de São  Paulo do dia 7 de julho, traz notícia em que afirma que o Sr. Covas, quer, antes do final deste ano, privatizar a CESP, a ELETROPAULO e a CPFL. Espera com isto trazer para dentro dos cofres estaduais algo em torno de 10 bi. Muito bem, até aí nada a reclamar. Entretanto, isto nos faz lembrar da também iminente privatização de Furnas Centrais Elétricas. Recentemente procuramos fazer algumas investigações sobre o assunto, que de há muito nos preocupa.  Já a  Gazeta do Oeste de nº 1, estreava com a manchete,  “ U$ 500.000.000, Royalties que deverão ser antecipados”, chamando a atenção para o desastre financeiro que a privatização poderia  representar para os 34 municípios lindeiros,  caso ela ocorresse  tal e qual estava e está  programada. Isto em fevereiro.  Para quem não sabe, Formiga recebe algo em torno de 100 mil reais/mês a este título. É pouco, sabemos,  mas ajuda e muito. Como até hoje não soubemos de nenhuma atitude em defesa desta idéia no município, quer seja pelos que detém o poder , ou  por outros que deveriam se interessar pelo assunto, – (ecret. de Turismo, de Industr. e Comerc., entidades de classe, etc) – achamos por bem, novamente tratar do problema, que a nosso ver é mais grave do que  se pensa.  Num raciocínio simplista é de se perguntar:  Será que a iniciativa privada, de capital externo,  manterá para os 34 municípios inundados esta prerrogativa? É de sua índole e tradição   manter despesas a título de ajuda  a municípios? Claro que não, mesmo que o DENAE e outros órgãos públicos queiram também tapar o sol com a peneira, afirmando o contrário, especialmente em defesa da privatização  que muito interessa  ao Governo Federal, seu patrão e mantenedor.  A empresa (Furnas), segundo dados de 31.12.96, com o capital fechado, de exatos R$ 1.763.326.842,62, tem em nome da Eletrobrás 99,54% deste capital,  0,03 em nome da Cesp e o restante do capital diluído entre muitos outros investidores.  Quem então ganharia com a privatização? O Governo Federal, São Paulo e só. . E Minas com seus municípios inundados e que perdeu talvez o melhor daquilo que tinha em solo verdadeiramente fértil e agricultável, ficará com o que? Com o lago, é claro, e  fica também com a possibilidade da exploração turística, pois até já se fez um Plano Diretor para o Lago, não é mesmo? Pois bem senhor governador, cabe ao Senhor que teve a visão de patrocinar a feitura de tão grandioso plano, assinado pelos espanhóis,  buscar agora, e rapidamente junto ao governo federal os recursos para sua implantação. Afinal  ele foi feito para ser implantado, não foi? A chance é esta, cobre um percentual (sugerimos  no mínimo 5%) a título de adiantamento dos royalties, que o senhor, como eu, sabe se tornarão em nada, logo, logo com a privatização.  Vamos colocar já a mão  neste tutu. Antes da privatização  consumada nosso poder de barganha é maior. O senhor terá a sua disposição e em favor desta luta todo o povo dos 34 municípios.  Politicamente será bom também. Sabe quantos eleitores nós somos? Com a metade dos recursos levantados se implanta o Plano Diretor, e isto é garantia certa de trabalho para milhares de mineiros. Depois de implantado, a história deste Estado será   outra, e o senhor bem sabe disto.  Com o restante (troco),   bem com ele,  ninguém melhor que o senhor para saber onde e como aplicá-lo.  Minas tem que fazer valer seus direitos, e esta é uma boa oportunidade. Coloque os 34 prefeitos para trabalhar neste sentido, dentre eles há de haver ao menos  um líder que entenda a simplicidade deste raciocínio e que perceba a  chance que temos à frente, como raríssimas vezes tivemos. Afinal, muitos deles são de seu próprio partido e, como o senhor, querem e lutam pelo bem deste Estado. Também entendemos que o governo Federal não hesitará em pagar antecipadamente os royalties, pois bem sabe que no final das contas  quem estará pagando será o Consórcio comprador, além de pela primeira vez, conseguir privatizar uma grande empresa sem oposição dos municípios onde ela, a privatizada, tem sua área de influência.  E isto não  será uma inovação, basta que se verifique nas outras privatizações realizadas o quanto as bolsas, os corretores, as caixas de funcionários, etc, receberam a título de comissão ou de outros apelidos bem conhecidos. Não nos custa nada  tentar, não é?

Ed. 93 - 28/11/98

Turismo afunda no seco

furnas9É preocupante a situação da incipiente indústria turística, que aos trancos e barrancos vem tentando se instalar nos municípios lindeiros do lago de Furnas. Não bastasse a insensibilidade de alguns prefeitos que no passado e no presente fazem ou fizeram questão de não dotar de infra-estrutura ainda que mínima a esta parte importante de seus municípios, que diga-se de passagem dispõe até de verbas próprias para tal (os conhecidos royalties),  os inúmeros empreendimentos instalados na orla se vêem agora, de uns tempos para cá, ameaçados pelo esvaziamento constante da represa.  Nossa reportagem lembra que os desníveis havidos no passado (décadas de 60, 70 e 80 não chegavam a 5 metros (na vertical), ou seja, representavam pouco mais de 25 a 30% de esvaziamento da bacia.  Hoje, a tal bacia  não retém mais que  25% de seu volume total e o desnível passa dos 10 metros.  Os dados, nos foram fornecidos pelo próprio superintendente de operações da usina. É preciso entender que Furnas hoje, tem funcionado como a caixa d’água  do rio Grande, e portanto, regula água para nada menos que 8 usinas abaixo de suas turbinas.  São elas: Mascarenhas de Morais, Estreito, Jaguara, Volta Grande, Porto Colômbia, Marimbondo, Água Vermelha e Ilha Solteira. (as duas últimas de propriedade da SESP). Vender água é o negócio de Furnas, ou melhor, vender a energia gerada através da força das águas. Social e estrategicamente esta mudança repentina na mentalidade da direção de Furnas, no tocante a manutenção dos níveis da represa, vem em sentido contrário aos interesses de todas as cidades lindeiras e  do próprio Estado de Minas e é um tremendo retrocesso também  em termos econômicos.  A manutenção das águas do lago formado pela represa de Furnas em níveis compatíveis, como era feito até pouco tempo, é mais que uma necessidade, é um direito do povo mineiro. Mais que isto, é uma bandeira que deve ser defendida por todo o Estado sob pena de que vejamos definitivamente como vemos hoje, acreditamos esporadicamente, o sonho de implantação da indústria turística, naufragar, ainda que eufemisticamente, no lodo ou no barro desta represa vazia.  Não estou aqui a defender os empreendimentos existentes, eis que todos sem exceção, ainda são viáveis economicamente dentro dos moldes em que foram criados. São clubes fechados e com água ou não na represa, têm sua freqüência garantida. Para tal criaram opções outras como seus parques aquáticos artificiais, que de alguma forma lhes garante um nicho no mercado.  Mas, é exatamente de suas expansões que dependem os loteamentos, as milhares de casas já instaladas as margens do lago, a industria náutica, a de equipamentos de segurança, a de reboques, a venda de combustíveis, a prestação de serviços diversos, as feiras náuticas que fazem girar milhares de dólares. Tudo isto somado, é que, sem dúvidas multiplicaria por mil ou milhões os investimentos havidos, gerando empregos e riquezas por todo lado. A política de manutenção do lago em níveis compatíveis tem que ser mantida, e garantida. Só assim atrairemos novos capitais, e com eles novos empregos e mais recursos, e mais empregos e mais recursos… e mais progresso e melhoria de vida para os habitantes de toda a região. Vêm aí as privatizações das hidrelétricas e mais uma vez lembramos que os interesses desta cidade, desta região, deste estado, precisam ser defendidos por quem de direito. De nada adiantarão os congressos por nós muito bem representados em todo o país se os rios como o Formiga são e continuarão sendo esgotos a céu aberto despejando diariamente no lago toneladas de impurezas. Ele e os outros, precisam urgentemente de um tratamento diferenciado dos demais.  Quanto mais secam menos condições têm para empurrar as toneladas de dejetos que lhe são atiradas por dia. E se suas águas não passarem já pelos tratamentos químicos e naturais de todos conhecidos, acabarão um dia não muito distante transformando o que resta do lago, em uma enorme gelatina de m…(?). E turista, não gosta disto!

Ed. 115 - 30/04/99

Dividir Furnas

furnas6Márcio Moreira Alves

Os funcionários de Furnas entraram numa greve de advertência contra o desmembramento da empresa para fins de privatização, que, adiado por algumas semanas, será decidido hoje pelo Governo. Este desmembramento foi sugerido pela empresa de consultoria inglesa Cooperi & Lybrand, para facilitar a compra das empresas resultantes do desmembramento pela iniciativa privada. A Inglaterra não tem, como o Brasil, sistemas hidroelétricos.

A privatização do sistema elétrico brasileiro, cuja capacidade de geração é 91% hidroelétrica, é uma exigência dos acordos firmados pelo Governo com o FMI. Em nenhum outro país soberano os sistemas hidroelétricos são privados, informou o engenheiro Joaquim de Carvalho ao Senado, numa audiência à Comissão de Serviços de Infra-Estrutura, da qual também participaram o ministro das Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, e o presidente da Eletrobrás. Acrescentou ele que, nos Estados Unidos, onde as termoelétricas são todas privadas, as hidroelétricas pertencem a estados, municípios e, no caso do grande complexo da Tennessee Valley Authority, ao Governo federal. A razão: água não serve apenas para produzir energia elétrica. Foi o que alegaram os parlamentares da Bahia para impedir a privatização das usinas e dos reservatórios de Itaparica e Sobradinho, que continuarão a ser controlados pela Chesf. É que o setor elétrico é apanágio do senador Antônio Carlos Magalhães, que foi presidente da Eletrobrás no Governo Geisel. Foi ele quem nomeou o ministro Tourinho e fez com que os interesses da Bahia prevalecessem sobre as pressões do FMI. Declarou o ministro: “o Governo federal, diante dos questionamentos apresentados pelos senhores senadores e deputados acerca das cisões das empresas a serem privatizadas, reavaliou o seu cronograma e passa a discutir, a partir deste momento, a privatização da Chesf, preservando a utilização de água para fins de irrigação, produção de alimentos, agricultura e consumo humano.” Manda quem pode, obedece quem tem juízo, diz-se.

O apagão, que deixou grande parte do país às escuras na noite de 11 de março, serviu para lembrar a todos a importância de Furnas. A empresa é responsável por 88% da energia elétrica do Rio de Janeiro, 69% da das regiões Sudeste e Centro-Oeste e produz 35% da energia consumida no Brasil. Tem 11 usinas, um patrimônio de R$ 10,5 bilhões e um endividamento de apenas 7,5% sobre este patrimônio. Nos últimos três anos investiu R$ 2,6 bilhões e, no ano passado, deu um lucro de quase R$ 1 bilhão, por ter o Governo aumentado as tarifas de energia elétrica para remunerar as empresas de distribuição privatizadas, como a Light.

A modelagem para a venda de Furnas, que deve ser decidida hoje, é quase unanimemente contestada pelos engenheiros e por quem entende do assunto. O que se diz é que ela pode servir para apressar o negócio, por ser mais fácil a venda picada, serve para os consultores embolsarem as suas comissões, mas para a estratégia de desenvolvimento do país não presta. O centenário Clube de Engenharia do Rio de Janeiro promoveu um abaixo-assinado de protesto com centenas de assinaturas de seus sócios. O ex-deputado Procópio Lima Neto, campeão de liberalismo entre os liberais, acha que o capital da empresa deveria ser pulverizado nas bolsas de valores, reservando-se 10% das ações para os funcionários, como fez a primeira-ministra Margareth Tatcher com a Bristish Petroleum. Discursou Lima Neto: “se mantida sua integridade como empresa de grande parte e, assim, atrativa para o capital privado, Furnas poderá, com o capital democratizado e com novos sócios em novos projetos, passar por um processo inteligente de desestatização, tornando-se uma empresa ainda maior, mais ágil, mais produtiva, preparada para um novo salto de desenvolvimento do país.”

O deputado Márcio Fortes, do PSDB, vice-presidente da Firjan e também engenheiro, é enfaticamente contra a divisão da empresa, embora seja um dos vice-líderes da bancada do Governo. O engenheiro Luís Laércio, presidente de Furnas até a semana passada, pediu demissão do cargo por não concordar com a proposta de fatiamento da empresa, acolhida pelo BNDEs, embora seja favorável à privatização.

O engenheiro Joaquim de Carvalho, sentado ao lado do ministro Tourinho no Senado, foi mais contundente. Disse que “os atuais governantes estão oferecendo a grupos estrangeiros a oportunidade de arrecadar uma fatia da renda nacional, mediante a venda de energia produzida pela água que corre em nossos rios e usando, para isto, usinas hidroelétricas construídas com dinheiro público. Diante disto, fica muito difícil acreditar na honestidade dos atuais mandatários, pois não é plausível que cometam erros tão graves apenas por inépcia. Afinal, a estupidez humana não vai tão longe.”

O provável é que prevalecerá a opinião dos financistas.

Matéria extraída do Jornal O Globo de 29/04/99

Ed. 116 –07/05/99

Jurista da Universidade Mackenzie afirma que Cemig não pode entrar no leilão de Furnas

O jurista Ives Gandra Martins, professor emérito de Direito Constitucional da Universidade Mackenzie, afirmou que, se o edital de venda de Furnas fala que o objetivo é a privatização, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) não poderia entrar no leilão, a não ser que tivesse participação minoritária. “Sendo a Cemig uma empresa de propriedade do estado, se ela vencesse o leilão, Furnas apenas mudaria de rótulo, pois continuaria sendo estatal”, alertou o jurista.

Ed. 129 – 06/08/99

Defesa de Furnas, uma bandeira de luta

furnas8Waine Silva

O governo FHC quer privatizar o sistema elétrico de Minas Gerais, o qual tem em Furnas uma das principais usinas responsáveis por 90% da energia consumida nos estados da região sudeste, Goiás e Distrito Federal. O que você tem haver com isso? Se você acha que as privatizações ocorridas no atual governo foram feitas de maneira transparente, ajudando a maioria dos brasileiros, tudo bem, mas se você que mora em nossa cidade, orgulha de ser mineiro e já percebeu que estas privatizações não resolveram quase nenhum dos problemas do Brasil, resolvendo apenas daqueles grupos que fizeram um bom negócio, ou seja comprar ouro a preço de banana, muito das vezes patrocinado pelo BNDS (dinheiro do próprio Estado; é melhor ir comprando as velas esquecer que o “portal do Mar de Minas” começa em Formiga, pois o projeto de privatização de Furnas, não inclui definições sobre o uso da água do lago, que beneficia 34 municípios mineiros. Tanto esta situação é calamitosa que as reclamações da autoridade municipal do turismo em nosso muncípio tiveram a seguinte resposta do presidente da energética “Furnas não deixará de aumentar seu faturamento por causa do turismo de Formiga, numa antecipação da fria lógica de mercado que seguira a privatização da empresa.

Segundo o presidente do Ilumina (Instituto de Desenvolvimento Energético do Setor Energético e da Associação dos Acionistas Minoritários, Agenor de Oliveira, em entrevista dada ao jornal Folha Dirigida, recentemente, a privatização e a divisão da empresa proposta pelo governo aumentará a tarifa que hoje e feita pela média de preços das empresas, o chamado mix tarifário, sendo hoje de 34 por MWH, elevará para 38 por MWH; esta elevação implicará num aumento das atuais contas de energia, sendo um golpe tanto no setor produtivo, como no bolso de cada cidadão brasileiro. Para ele também os recursos do BNDS, que saem do bolso do trabalhador, não podem ser emprestados a grupos estrangeiros, para compra de empresas do setor energético e sim utilizados na luta contra a desigualdades sociais. O mais perverso de tudo isso, e que, por trás de toda essa jogada quem saira mais satisfeito é o FMI, mais uma vez às custas do arrocho sobre o sobrevivente povo brasileiro.

A luta contra a privatização de Furnas, tem de ser apoiada por todos os setores políticos preocupados com o bem comum, tanto em nosso município, como no Brasil inteiro. Desde abril deste ano, quando em Ação Popular, os deputados Sérgio Miranda e Jandira Feghali e a bancada do PC do B conseguiram uma liminar contra a Assembléia Extraordinária de Cisão e privatização da empresa, iniciou-se os debates e as preocupações sobre o destino da empresa, tanto que o tema foi amplamente discutido no seminário Minas e as Águas de Furnas, ocorrido no BDMG.

É hora de todos os setores progressistas se unirem em torno da defesa deste imenso patrimônio, o qual está o município de Formiga inserido, dependendo dele para obtensão de energia e desenvolvimento do turismo como fonte de renda.

Ed. 130 – 13/08/99

Itamar combate privatização de Furnas

Belo Horizonte – A Comissão de Estudos Avançados Constitucionais e Legais, formada por juristas de Minas Gerais, entregou ao governador Itamar Franco o parecer final sobre a privatização do setor energético, com três mil páginas, encadernado em 11 volumes. Os juristas se basearam no artigo 21 da Constituição Federal, que considera que os rios são inalienáveis. A comissão deve preparar os termos de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin), a ser impetrada pelo governo de MG no STF.

O governador Itamar Franco determinou que o comando da Polícia Militar de MG sobrevoe a região de Furnas, no sábado pela manhã, e também colha depoimentos da população local, de modo a complementar o levantamento sobre os possíveis impactos que a privatização da empresa possa ter. Em entrevista após a entrega do parecer, Itamar disse que não sabe atirar, mas sabe “desviar rios”.

Ed. 134 – 10/09/99

Se sertão vira mar, mar também vira sertão

encosta_cameloEsta verdade, para ser constatada, não obriga nenhum de nós a viajar para o nordeste. Nem mesmo pouco mais  que alguns quilômetros. Para ser mais exato são necessários caminhar pouco  menos de três dezenas deles, aqui mesmo neste município. Basta chegar à Ponte Vila. Ali, entre um trecho que vai até o Hotel Marina, por um lado, e até o outro que se localiza a menos de 4 quilômetros de distância, em direção à Fazenda Ponte Alta,  existe uma região que se convencionou chamar de Balneário Furnastur. Nome bonito, portentoso e que com o advento do “asfalto do Juju” chegou até a ser pintado na cabeça de muitos como o futuro desta Formiga, inclusive, na nossa. É um lugar onde o progresso chegou rápido. Muitos jardins, alguns com  suas belas casas, nem todas, muitos deles até com ruas calçadas e iluminadas. Tudo como convém aos freqüentadores e investidores, especialmente os de fora, mais exigentes. Ali seria, ao que nos parece, um pólo turístico destinado a aproveitar as potencialidades do lago de Furnas. Mas, há três anos, (ninguém sabe o porquê, e os que o sabem não dizem), o tal Mar de Minas está se transformando a cada ano, a cada mês, a cada dia, em sertão. Em muitos locais, antes aprazíveis, o que se vê hoje é apenas a acumulação de um barro fétido e a propagação de  uma vegetação rasteira. Ali, onde antes havia água, peixes e turistas, agora é só mosquito, mau cheiro, saudade e desânimo. Os esportes náuticos, as lanchas com seus motores possantes, os jet-skis e até mesmo as canoas estão aos poucos mudando de habitat. O Santa Maria, feito para transportar 45 passageiros e que foi por nós foi concebido para ajudar na implantação da indústria turística, facilitando e permitindo os passeios no lago para aqueles que não tinham condições de usufruir dos jets ou lanchas, para sobreviver, precisa ser urgentemente re-engenhado. Provavelmente receberá rodas para que durante boa parte do ano possa cumprir sua missão original. Quem sabe assim, se transforme em atração turística? Será o primeiro barco, ao menos por aqui, a andar no seco. E enquanto se pensa nisto, nenhuma explicação oficial ou sequer uma desculpa é endereçada  a quem acreditou, e muito! Lá em Belô, com dinheiro inclusive daqui, hoje  se investe numa tal de Multiminas, a feira que pretende mostrar  as muitas facetas e possibilidades de exploração turística desta nossa Minas Gerais. Tudo com direito a discursos, visitas importantes, presença dos que deveriam nortear o turismo até mesmo a nível Brasil. E neste Estado, salvo engano, ainda não há estruturada sequer uma  Secretaria que cuide do assunto. Assim sendo, não há mesmo como estranhar o acima demonstrado. Mas a umas poucas  perguntas não podemos nos furtar: Será que a degradação das cabeceiras do rio Formiga, assim como esta realidade que a foto abaixo nos mostra, estarão sendo pensadas ou discutidas no importante fórum por nossos representantes? Ou será que como avestruzes continuaremos com a cabeça enterrada mostrando que concordamos que isto aqui é o paraíso, e que se desenvolverá uma industria turística independente de haver ou não água no lago? Enquanto isto ocorrer (a não discussão de tão importantes temas  bem como a  inexistência de condições mínimas, -falta absoluta de água  com os desníveis apresentados nos últimos anos e de infraestrutura –), somos de opinião que aquele mega-evento  não passará  de fonte de renda e ponto de encontro para uns pouco privilegiados, que aliás são, via de regra, financiados por nós outros. Se esta cidade é capaz de formar, e bem, através  de sua faculdade  uma turma de bacharéis em turismo, o mínimo que precisa e deve fazer por eles, –  mais que badalar e que colocar   “azeitonas nas empadas dos outros” -,  é denunciar estes crimes (degradação ambiental e esvaziamento da represa).  Uma cidade que permite a degradação ambiental não pode pensar em trabalhar em se considerar como polo turístico e investir em turismo aquático sem  ter água, não é sonho, é loucura. Precisamos pôr a boca no trombone, senão esta turma que vem por aí, “formadinha”,  não terá emprego. Acabará como outros, emitindo bilhetes de passagens ou conferindo bagagens no balcão de uma companhia aérea. Será que foi para isto que estudaram tanto? Será que é esta a finalidade de uma Faculdade de Turismo?

Ed. 139 – 15/10/99

Manobras e seca

furnas4Se um dos objetivos do governador Itamar Franco foi  o de despertar a atenção da mídia  e do resto do país e “oxalá do mundo” para o total inconformismo do povo mineiro com relação à intenção do Sr. FHC. no tocante a privatização da estatal, pode o governado, certamente, dar-se por satisfeito.  Até mesmo nosso prefeito, Sr. Eduardo Brás, esteve visitando o acampamento militar no único intuito de levar sua solidariedade à causa.  Aliás, meses antes, já o fizera em uma reunião havida no auditório do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, quando com muita coragem e desprendimento político, não só defendeu, como exortou a todos os demais prefeitos a se engajarem em tal luta.  Pois bem, é preciso defender mesmo o que é nosso. Após a demonstração inequívoca de que todo este estado é contra a privatização o governo do estado bem que poderia liderar uma ação conjunta dos trinta e quatro municípios contra o que chamamos de “Crime ecológico patrocinado por Furnas” o que certamente ao cair das primeiras chuvas fará com que milhões de espécimes de peixes e plantas sucumbam em meio ao caldo de agrotóxicos  que virão das margens do lago.  A explicação para esta tese é simples e não exige muita queima de neurônios para ser assimilada.  Basta  que se consulte a qualquer um de nós, homem simples que vive a beira do lago, para se saber que mesmo quando a represa andava próxima de seus níveis máximos (bons tempos aqueles e que graças a Deus duraram mais de 35 anos) à época das primeiras chuvas, o agrotóxico que descia das margens em direção ao lago, conduzidos pelas  enxurradas , faziam com que um número muito grande componentes da fauna e da flora, morressem.  Ora, se imaginarmos que hoje, as lavouras continuam a usar,  quem sabe, até uma quantidade maior daqueles produtos e, com esta represa apresentando  níveis tão baixos, é bem provável que a concentração do veneno será no mínimo quatro ou cinco vezes maior e então… Se somarmos a isto, todo o esgoto que cai no lago e que antes era diluído em um volume de água infinitamente maior, provável será que a mesma mídia que hoje andou a divulgar as “peripécias do Dr. Itamar”, possa, se coragem tiver para tal,  acusar a Centrais Elétricas de Furnas de co-autora de um dos maiores crimes ambientais já perpetrados neste país. Dissemos “um dos “ porque certamente o cometido pelos fornecedores FIAT e pela própria montadora ainda é o maior de todos quantos se tenha notícia por estas bandas. E tudo sob o manto protetor do ISO  14001. Ele,  sequer mereceu deles (grandes órgãos)   um comentário de meia linha, isto não  se sabe porquê, ou melhor, sabe-se sim, e s muito bem.  Sabemos tanto dos tais por quês que é esta certeza que nos trás neste momento tanta  e tão séria preocupação.

Ed. 139 – 15/10/99

Manobras Militares na Região de Furnas

Dos dias 11 a 14 de outubro a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiro Militar de Minas Gerais desenvolveram diversas atividades de instrução, na área de responsabilidade territorial do 12º e 24º Batalhões da Polícia Militar, sediados em Passos e Varginha.  Mais precisamente as atividades aconteceram nos municípios de Piumhi, Guapé, Itaú de Minas, Passos, São João Batista do Glória, Capitólio, Carmo do Rio Claro, Alpinópolis e São João Batista da Barra. O objetivo principal segundo informações da Assessoria de Comunicação social foi o de “proporcionar um ambiente de treinamento e aprimoramento dos profissionais de Segurança Pública e de Bombeiro, através de táticas e técnicas na área de suas atribuições, além de promover, simultaneamente, uma maior interação e integração entre a comunidade e as Instituições envolvidas, sob o enfoque da Polícia Comunitária.

Foram desenvolvidas  ações e operações de instrução na região urbana das cidades, nas rodovias, nos balneários e pontos turísticos da região, com o intuito de prevenir e reprimir o crime, além de proteger e preservar a qualidade de vida”.

Em conjunto  com as prefeituras foram realizadas ações comunitárias voltadas para o entretenimento e assistência comunitária, com a apresentação do helicóptero, banda de música e ações adestrados da PMMG, transitolândia, atendimento médico, palestras com Bombeiros, realização de uma “minigincana”. e outras atividades sociais.

As atividades comunitárias foram precedidas por uma campanha de sensibilização da comunidade escolar para a questão do uso indevido de drogas, através do concurso Viva Feliz Sem Drogas,  promovido pelo Conselho Estadual de Entorpecentes e apoiado pela PM e Unicentro Newton Paiva.

2.500 militares foram  distribuídos em dois batalhões, sendo um de Treinamento Básico, sediado na MG 050, km 262, no município de Capitólio com atividades  de instrução, por meio de treinamento relacionados com as missões afetas à Polícia Militar e ao Corpo de Bombeiros.  Outro, o Batalhão de Treinamento Avançado desenvolveu atividades de policiamento ostensivo descentralizadas, nos nove municípios envolvidos, com a realização de operações de prevenção e de repressão(em alguns casos) do uso e tráfico de drogas, ao roubo de cargas, furto e roubo de veículos, contrabando e descaminho, crimes ambientais, porte ilegal de armas, furto de gado, fiscalização da malha rodoviária estadual, coibindo o cometimento de infrações  e ações de patrulhamento preventivo no interior das cidades. Foram inclusive distribuídas “dicas de segurança” para as comunidades propondo medidas de auto-proteção contra furtos, acidentes, depredação de meio ambiente, valorizando a vida e promovendo como já dito,  campanha de prevenção anti-drogas. Esta operação segundo informações custou aos cofres estaduais 450 mil reais, e dentre outros objetivos procurou chamar a atenção da mídia e do mundo para os graves problemas que poderão advir com a privatização de Furnas.

Ed. 146 – 12/11/99

Turismo em Furnas: sem água estava difícil. E sem o George, será impossível?

furnas3Os destinos turísticos da região do Lago de Furnas têm sofrido ultimamente uma série de rudes golpes. Pior que a falta d’água, atrativo principal e indispensável para a efetiva implantação da indústria sem chaminés, será a falta que o dinamismo, a crença, as atitudes corajosas e as iniciativas de alguns “heróis desbravadores” nos fará a todos. Marcos Mendes foi um destes mas, ao partir, sabia ele que um outro gigante tentaria de todas as formas suprir sua falta no concerto de lamúrias e gritos necessários ao penoso trabalho de sensibilização dos ouvidos moucos dos nossos governantes. E o George sabia fazer isto, melhor que ninguém. Com a competência e a certeza de que é neste a maior autoridade sobre o assunto, especialmente sobre Furnas, com inteligência, perspicácia, simpatia e modéstia, ia ele, aos poucos, colocando em doses homeopáticas nas cabeças daqueles, as informações mesmo que sub-liminarmente, que redundariam em uma atitude ou autorização concreta em favor da idéia e objetivo principais. E, exatamente agora, quando o turismo não só do lago, mas de todo este Estado menos poderia prescindir de sua ajuda, o “Senhor Arquiteto do Universo” (e só ele sabe o porquê) nos retira de nosso convívio, sem maiores avisos, o amigo George Norman Kutowa. E agora, José? Perguntei a outro dos muitos que como nós, nos sentíamos ali como “viuvas desamparadas”. E acreditem, este termo não é tão exagerado quanto parece pois, para nós, investidores desde as primeiras horas nesta idéia que a princípio parecia maluca, a escolha de Norman para também investir em nossas vizinhanças e exatamente na idéia de criação de um grande pólo turístico foi um aval efusivamente comemorado. Apesar de tudo, meu caro José Afonso, acho que nosso sonho, vai adiante sim. Será realizado, é claro. E quem o viabilizará, pode crer, será mais uma vez nosso amigo George. Tenho a mais absoluta certeza de que agora que ele está bem junto “dos homens” lá em cima, se depender mesmo só da chuva para que o nível do lago seja recuperado com rapidez. A esta altura, já ele deverá ter se reunido com São Pedro e todos os demais que possam influir ou tomar medidas em favor do assunto. Por aqui também ele deixou, sabidamente, sementes muito bem lançadas e que hão de germinar com muito vigor. Foi-se o Norman, é verdade, mas ficaram suas idéias e tenho certeza, estarão revigoradas nas cabeças de quase oitenta jovens que ele, como patrono, há de iluminar. E eles tão aqui, pertinho de nós. A fornada está quase pronta. Tanto os formandos deste ano como a FATUR sabem, e muito bem, o quanto devem àquele Patrono e a esta região. Por isso, acreditamos que mesmo que ocorra um inevitável atraso no andamento das coisas, o que já aceitamos como triste realidade a encarar, ainda assim, também pensamos que nosso sonho, “o sonho do NORMAN” uma hora se tornará realidade. Dentre estes turismólogos, certamente muitos despontarão e logo estarão a ocupar cargos de destaque neste ou em outro governo e tal e qual o patrono, não se furtarão a enfiar na cabeça destes políticos o que é mais que óbvio: a importância econômica, política e social da exploração racional da indústria turística nesta região. Por falar nisto, já temos nomeado o secretário de turismo? A nível estadual, esclarecemos.

Ed. 167 – 28/04/2000

Furnas a caminho da desertificação

encosta_camelo_2O limite  máximo do nível do reservatório de Furnas aconteceu neste mês de março quando atingiu a marca de 761,73.  Portanto, muito abaixo da cota 768,00. Agora em abril, no dia 26, a marca já havia caído para 761,19. Em menos de 20  dias, caiu verticalmente 54 centímetros. Se não houver uma política de transferência de geração para outras unidades do sistema, ou uma aberração climática com intensivas e demoradas chuvas,  novamente este ano, por volta de julho ou agosto, o reservatório estará armazenando  menos e 10% de seu volume útil. Será a volta do deserto, do desespero e da desesperança para os empresários do ramo turístico e de todos que dependam diretamente do lago para sua sobrevivência. Urge, portanto, que o Sr. Manoel Costa,  Secretário de Estado da recém criada pasta, comece a se preocupar com isto. Do contrário, a reedição dos planos defendidos pelo falecido Norman e a demonstração de simpatia e boa vontade do secretário em favor do desenvolvimento regional da indústria turística, externados por ele no último encontro  recentemente  realizado no Náutico, sob os auspícios da FUOM/FATUR, serão de pouca valia. Não há como atrair investimentos ou turistas sem a garantia mínima de manutenção do nível das águas do reservatório. Esta decisão, é meramente política e os mais de 40 anos de existência do lago, isto comprovam. Chega de blá, blá, blá, é hora de agir!

Ed. 179 – 21/07/2000

Furnas – uma questão meramente política

Em vinte e oito de abril deste ano,  publicamos uma fotomontagem onde o Lago de Furnas, totalmente seco (pois contava àquela época com apenas 6,9% de seu volume útil apresentava ao fundo, em segundo plano, alguns camelos, numa alusão ao deserto em que se transformou uma região que há poucos anos era tida como das mais belas e propícias para a exploração turística e agrícola. Trinta e quatro municípios banhados pelas águas represadas por Furnas eram tidos como promissores e, portanto, recebiam investimentos nos setores acima mencionados. Formiga, Pimenta, Guapé e Capitólio, em especial, atraiam além dos investimentos, enorme volume de turistas sendo apontados como os prováveis propulsores da inversão de fuga do fluxo turístico para os estados do Rio, Espírito Santo e Bahia, à procura de lugar adequado para os esportes náuticos. Centenas de garagens, marinas, ancoradouros, clubes, lojas especializadas em equipamentos de pesca e náutica, oficinas, restaurantes, hospedagens, supermercados e outros investimentos carrearam para a região milhares de dólares e com eles, empregos, muitos empregos, para uma mão-de-obra que aos poucos foi sendo formada. Pois bem, de repente vem o segundo governo Fernando Henrique Cardoso, sem dúvida um dos mais desastrosos que este país já viu e, na ânsia de privatizar, ao ser rechaçado com violência pelo governador e lideranças mineiras que com ele não concordam, especialmente quanto à privatização das Centrais Elétricas de Furnas, o lago formado pela represa começa a ser, paulatina e criminosamente, esvaziado à partir do ano de l998. Em 12/7/2000, apresentava um volume útil de água, da ordem de 34,7%. Ora, se considerarmos que o esgoto não tratado de toda a bacia de Furnas, que é carreado para o lago, mais os agrotóxicos utilizados em seu redor pelos milhares de agricultores, não é muito difícil saber se o que acontece com a fauna e a flora, antes abundantes no lago. Com a diminuição do volume, é óbvio que a diluição dos poluentes está muito mais concentrada, portanto… Este governo deve e precisa ser responsabilizado por tamanho crime contra a natureza.  Dizer que o regime de chuvas é o responsável pela atual situação é balela pois, de janeiro a junho de 98, a vazão afluente somou média de 821,16 m3/s; em 99, 1.031,8 m3/s e em 2.000, 1.244,m3/s. Quanto à geração, basta que se analise a vazão turbinada: Em 98, a média nos seis primeiros meses foi de 850,16 m3/s; em 99, 777,00 m3/s e em 2.000, 948,16 m3/s. Portanto, está comprovado que as chuvas contribuíram com muito mais água que em anos anteriores quando o vível era mantido em cota superior. Comparando 1999 e 2000 teremos uma média de volume turbinado superior ao de 99 em mais de 22%, o que mais uma vez comprova que a política mudou muito pois, nos seus mais de 40 anos de existência, o lago nunca esteve em limites tão baixos. Em 99 chegou a reter apenas 6,9%  em seu limite mínimo quando se sabe que com apenas 6% é preciso suspender a geração. Incompetência  ou falta de precisão? Em maio de 1990, acumulava 65% de seu volume útil e este ano, à mesa época apenas 53%. Portanto de maio à segunda semana de julho, baixou de 53% para 34,7%, o que nos faz pensar que, se mantido o ritmo, em setembro estaremos próximos ao mínimo admitido. Enquanto isso, a jusante de Furnas,  os outros reservatórios,  especialmente os de São Paulo para baixo, estão mantendo seus níveis de estoque de água próximos ao limite máximo. Furnas está gerando para atender cerca de 40% da demanda nacional. Portanto, o problema é político ou não? Fomos pessimistas como muitos disseram quando na edição 167, de  28/04/2000 nossa manchete afirmava, “Furnas: o deserto do amanhã”? Revejam as fotos de capa desta edição e comparem os gráficos de vazão afluente e defluente nos primeiros seis meses de 98 a 2000. Somos pessimistas ou existem motivos reais para imaginarmos que os milhões em investimentos  feitos na região correm sérios riscos? E os turistas migrarão ou não para outros pontos? O Estado de Minas Gerais que investiu milhões, por ordem de um governador tucano, que pagou caro para que se elaborasse um Plano Diretor para o Lago de Furnas (feito pela Gerc-Inatur, empresa espanhola), o que fez com que muitos de nós acreditássemos  na implantação da indústria turística e de outras, todas diretamente dependentes do lago,  pode hoje, por capricho de um governo do mesmo PSDB do senhor Eduardo Azeredo, governador de então,  ver esvaírem milhares de possibilidades de geração de empregos e divisas? Se política é mesmo a arte de conversar, de negociar, é bom que comecemos logo a pensar mais seriamente sobre este  assunto, antes que os camelos habitem de vez a região, quem sabe  em substituição aos burros, tradicionais carregadores de peso e membros da espécie,  símbolo da estupidez e renitência! Dizemos isto porque não nos parece nada inteligente fazer com que uma indústria como a turística, em expansão em todo o mundo e sabidamente a que disporá nas próximas décadas de cada vez mais clientes em potencial,sucumba por inanição e inação de alguns, e o que é pior, exatamente ao lado do pote d’água.

Ed. 196 – 17/11/2000

FURNAS: O mar de Minas vira sertão!

furnas2O sertão  vai virar mar e o mar vai virar sertão. A profecia aos poucos se concretiza.

Primeiro foi necessário faturar muito para melhorar os números no balanço tendo em vista a privatização da empresa, uma das principais metas do governo de FHC.  Depois, com a bronca do Itamar que redundou até em operação militar, vieram outras formas de azucrinar a idéia de quem trabalha, acreditou e investiu muito no entorno do lago formado pela represa de Furnas. A simples análise dos gráficos abaixo, demonstra que o comportamento com relação a geração de energia naquela empresa é, completamente diferente da utilizada durante toda sua existência, exceção feita aos três últimos anos. Se em 98, a média de vazão afluente foi de 664,8 m3/s, em 99 de 707,83 m3/s e nos primeiros nove meses deste ano foi de 918,0 ou seja em 2000, a afluente foi 38% maior que a ocorrida em 98 e 30,4% superior àquela registrada em 99. Portanto, se este ano entrou muito mais água no lago, não é difícil entender-se o por quê de hoje, dia 16/11, o nível d’água se encontrar na marca de 752,75.  Se em 98, a vazão média  turbinada foi de 876,42, em 99 de 839,66 , em 2000, apenas nos 10 primeiros meses atingiu a média de 914, m3/s.Cada vez mais próximos do colapso total. Aí sim, Furnas irá paralisar. Mas, isto pouco importa, há muita água do Rio Grande armazenada ai para baixo, em Usinas que estão gerando bem menos que deveriam pois com a interligação total, a ANEEL preferiu a mando não se sabe bem de quem, ou melhor, até sabemos, gerar muito aqui e provocar no Estado esta calamidade que acarreta além dos prejuízos financeiros, o desemprego e a dizimação da fauna e flora lacustres. E esta é, segundo a propaganda levada ao ar na Rede Cultura, uma empresa que se preocupa com o meio ambiente!

Ed. 197 – 24/11/2000

CODEMA defenderá águas de Furnas em Comissão Mundial

Na próxima segunda feira,  o jornalista Paulo Coelho, na qualidade de convidado, estará defendendo como sempre defendeu, medidas que permitam a regularização do nível das águas de Furnas em patamares aceitáveis. Isto ocorrerá durante na Reitoria da Universidade de São Paulo onde estarão reunidos os membros da Comissão Mundial de Barragens,  para a apresentação do relatório final de seus trabalhos. Esta comissão foi criada em 1997 a partir de reunião acontecida em Gland, Suiça e começou a funcionar em 1998 na Cidade do Cabo, África do Sul, sob a direção de Kader Asmal, atual Ministro da Educação daquele país. Durante dois anos, esta  comissão escutou todas as vozes no debate sobre as barragens: grupos afetados, agências bilaterais e multilaterais, agências governamentais, organizações acadêmicas e de pesquisas além das companhias prestadoras de serviços públicos. Da apresentação do relatório final, participarão todos os seus membros e o Professor José Goldemberg fará palestra sobre o assunto. Uma avaliação geral de quando, como e por que as barragens conseguiram ou não, cumprir seus objetivos de desenvolvimento é assunto conclusivo do relatório que também mostra acordos obtidos entre atores antagônicos nesta área de desenvolvimento considerada como das mais candentes e controvertida.

Ed. 197 – 24/11/2000

O uso inadequado da água

furnas7Joe Basílio

Quem é que não adora, neste calor, dar um mergulho em uma piscina bem limpinha para refrescar-se? E quem é que não gosta de tomar banho? Ter a casa limpa? Manter as plantas viçosas? Pescar? Enfim, para todas as respostas haverá um elemento comum implícito: ÁGUA!

Estamos, atualmente, vivendo um fenômeno preocupante e que nos tem dado muito o que pensar: o esvaziamento da represa de Furnas. Somos pescadores, e como sempre soe acontecer, quase todo domingo rumamos para Santo Hilário, às vezes para o encontro do S. Miguel com o S. Francisco para “esvaziarmos a cabeça” numa gostosa pescaria. Não somos daqueles que acham que os peixes são inesgotáveis, por isso já migramos para a modalidade de pesca esportiva, pois a matança de peixes que temos presenciado nos últimos anos é de chocar a qualquer um. Além da pesca, aproveitamos para fazer um piquenique à beira d’água, nadamos bastante e com isso relaxamos para novas jornadas de trabalho.

Nosso intuito, ao escrevermos essa matéria, é alertarmos para a DESTRUIÇÃO GRADATIVA E CONTÍNUA dos nossos mananciais.

O homem, na sua ignorância, tem abusado dos recursos hídricos (bem como dos outros todos) e displicentemente faz uso do DESPERDÍCIO CRIMINOSO, ao qual pedimos a sua devida atenção.

Bem, o que você, leitor, tem a ver com isso? Simples, você também contribui para isso!

Citaremos aqui apenas alguns exemplos ilustrativos da sua participação nesse processo.

DONAS DE CASA: É lamentável vermos as donas de casa, pela manhã, com mangueiras à mão, lavando as calçadas, chegando ao cúmulo de empurrar todos os grãos de areia, folhinhas, etc, com jatos d’água, quando o ideal seria se fosse tudo varrido primeiro para que depois se fizesse a lavação, assim gastando muito menos água. Algumas chegam ao requinte de lavarem a área da rua toda! Já vi, na minha rua e adjacentes, senhoras lavando (e não molhando) ruas de terra! Pasmem senhores!

DONOS DE AUTOMÓVEIS: Quem é que não gosta de um carro limpinho e cheiroso? Até eu! (de vez em quando). Mas para isso, não é preciso que desperdicemos milhares de litros de água! Basta munirmo-nos de um balde, o material de limpeza e o BOM SENSO. Enchemos o balde com água, molhamos o pano, esfregamos todo o carro, com o sabão, etc, logo após, reenchemos de novo e retiramos o sabão, não basta? Repita a operação. Agora, se você é dos mais “limpinhos”, use, depois de ensaboar, a mangueira, mas com economia, pois o que temos visto é a pessoa abrir a torneira da mangueira, deixar escorrendo na calçada, ir procurar o material de limpeza, ensaboar o carro, e só depois disso, é que ela se lembra que a água ficou todo esse tempo escorrendo, e como se não bastasse, ainda fica com minúcias exageradas, limpando com os jatos, os cantinhos as rodas, debaixo das calotas, embaixo dos pára-lamas, pneus por dentro e por fora…e aí está! Imagine quantos litros não escorreram em uma lavação de aproximadamente 40 minutos!

PESCADORES: Agora chegamos ao meu interesse maior! Somos uns criminosos contra a natureza! Se você ainda não teve a curiosidade de observar as margens da represa, (ou ex?) dos rios de nossa região, então no seu próximo passeio observe: latas de cerveja, garrafas de todos os tamanhos e modelos, latas de refrigerantes, latas de milho, de extrato de tomate, potes de margarina, sacos plásticos, sacos de ráfia, de aniagem, caixas de papelão, maços de cigarros, garrafas de vidro, vidros de conserva, até latões de tinta, ou seja, TODA SORTE DE IMUNDÍCIES é deixada nas margens dos rios!

Aí me chega um, outro dia e diz: Não tá pegando nada mais na represa, né? É claro que não, estamos destruindo tudo! disse eu. Mas como? retrucou ele. Veja, você veio pescar e deixou lá embaixo um monte de sujeira: latinhas, sacos plásticos, garrafa PET e uma caixa de papelão, por que? Ah, disse ele, todo mundo faz isso, logo o rio enche e leva tudo…a conversa continuou e eu acabei chateado. Pra onde o rio vai levar tudo? Dá pra imaginar o que nos espera daqui a algum tempo?

Na última vez que fui a Santo Hilário, fiz umas fotos pra ilustrar o que estamos dizendo, vejam as marcas que fiz na foto: A primeira é onde costumávamos pescar a uns dois anos atrás, a outra é onde pescamos domingo passado. A represa vem baixando em média 60 cm por semana! É real, não é brincadeira!

Conclusão: Você, dona de casa, dono de automóvel, pescador, usuário em geral, você só terá certeza do que estamos falando quando ao abrir a torneira de sua casa e não cair sequer um pingo d’água. Será que você vai esperar isto acontecer?

Soluções: não temos fórmulas mágicas, mas aceitamos qualquer sugestão. Eu, por minha vez, já adotei uma: toda vez que vou pescar, levo comigo um saco de lixo de 20 litros, além da minha sujeira ainda recolho tudo o que estiver na área em que estou pescando e que foi deixado por outros. Sou bobo? Não importa; faço o que acho que é certo e tenho certeza que muitos acharão válida a idéia e repetirão meu gesto.

Façamos o melhor para tornarmos a vida sobre a Terra mais agradável. Colaboremos para que nossos filhos e netos também usufruam com alegria dessa Natureza Maravilhosa.

Ed. 198 – 01/12/2000

Comissão Mundial de Barragens confirma:

furnasDanos sociais, ambientais e econômicos são causados por barragens em todo o mundo

A Comissão Mundial de Barragens se reuniu pela última vez nesta segunda feira dia 17/11, na Reitoria da USP, para apresentar e distribuir seu relatório final. Nas conclusões, a certeza de que os danos sociais, ambientais e econômicos são enormes e torna-se necessária a adoção de normas e procedimentos para a implantação de novos projetos. Em Londres, quando da entrega e apresentação do relatório, o presidente do Banco Mundial, James Wolfenson e o ex-presidente Nelson Mandela afirmaram: “necessariamente, é preciso que se faça algo em favor dos povos e países onde barragens foram ou sejam construídas pois elas fracassaram em seus projetos gerais e causaram grandes danos”.

Alguns dados brasileiros

No Brasil, enquanto os impactos de barragens não forem avaliados corretamente e as populações já atingidas,  compensadas por suas perdas,  o MAB – (Movimento dos Atingidos por Barragens) exigirá a paralisação da construção de qualquer novo projeto e propõe a criação de uma Comissão Brasileira de Barragens para avaliar de forma independente, os impactos destes mesmos projetos. Seu coordenador, Sadi Baron, relata que só “Itaparica expulsou 40.000 pessoas de seu habitat primitivo (original) e,  13 anos após sua construção,  as famílias ainda esperam pela irrigação prometida e vivem às custas de cestas básicas fornecidas pelo governo.

Em Tucurui, 6500 pessoas são obrigadas a viver em pequenas ilhas, no meio do reservatório formado, sob a luz de lamparinas, ao mesmo tempo em que muitas outras aguardam a hora de seu reassentamento debaixo de lonas, em Porto Primavera. E o desenvolvimento propalado, pergunta ele, veio em favor de quem?”

Neste país, 93% da energia produzida vem de hidroelétricas. Um milhão de pessoas foram expulsas de suas terras para dar lugar às grandes barragens que segundo dados oficiais já inundaram 34 mil km2. É algo comparado em extensão territorial,  a um país maior que a Bélgica.  Mais de 30 mil famílias ainda esperam por uma compensação pelas perdas sofridas quando da construção de barragens, todas já inauguradas e em operação, há mais de 20 anos.

Fingindo desconhecer tudo isso, o governo brasileiro prossegue em sua política de construção de pequenas barragens usando os moldes da ditadura militar,  ignorando a miséria a que são relegadas as populações atingidas pelos projetos, preocupando-se apenas com a geração de energia.

A iniciativa de se criar uma Comissão Brasileira de Barragens  (independente) surgiu em Curitiba, durante o I Encontro Internacional de Atingidos por Barragens,  promovido pelo MAB, ao qual compareceram representantes de mais de 20 países.

Dados mundiais

O relatório da CMB (Comissão Mundial de Barragens mostra que tais obras, em todo o mundo,  expulsaram entre 40 e 80 milhões  de pessoas e destas, poucos readquiriram o padrão de vida prévio – populações indígenas e camponesas foram as que mais sofreram.- O impacto ambiental, a extinção de muitos peixes e de outras espécies aquáticas, grandes perdas de florestas que hoje estão submersas, pantanais e áreas agriculturáveis aconteceram, gerando o empobrecimento de muitos para beneficiar exatamente os setores mais enriquecidos da sociedade mundial.

Palavra da Eletrobrás

O representante da Eletrobrás, Luciano Nobre Varella, Chefe do Departamento de Engenharia e Meio Ambiente da empresa, afirmou durante o encontro  que nos próximos dez anos a capacidade de geração em hidrelétricas no Brasil precisa ser aumentada em cerca de 40%, e que a empresa dispõe de normas rígidas no tocante ao controle ambiental do setor elétrico desde 1990.  O professor Goldenberg sugeriu como solução paliativa e imediata , que a Eletrobrás re-enquadre suas normas de acordo com as sugestões atuais da Comissão Mundial de Barragens o que, se feito,  poderá auxiliar na diminuição dos graves problemas vividos pelas populações atingidas.

Outras participações

A Universidade Federal do Rio de Janeiro, participou do projeto e na solenidade esteve representada pelos Professores Emílio Lebre Larovere (Coordenador do Laboratório Interdisciplinar de Meio Ambiente) e pelo Professor Luis Pinguelli Rosa, vice-diretor da COPPE (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ).

Em defesa da manutenção das águas em Furnas

Durante os debates o editor deste semanário,  na condição de Presidente do CODEMA e de Diretor da Federação Brasileira de Jornais, mais uma vez, denunciou os graves crimes ambientais ocorridos com o violento rebaixamento do nível das águas da represa de Furnas e assim se expressou: “ Confesso, Professor Goldenberg, que não me sinto muito à vontade, como simples jornalista de uma pequena cidade do interior de Minas, ao ter que me dirigir a tão seleta platéia, composta certamente pelas maiores e mais ilustres autoridades mundiais sobre o assunto em pauta. Mas, jamais poderia me esquivar desta oportunidade, para fazer chegar aos senhores o que de fato ocorreu e vem ocorrendo com a população dos 34 municípios lindeiros ao Lago de Furnas. Dos meus 55 anos de vida,  passei grande parte deles ali, e conheci  bem as histórias dos suicídios, das agonias, desgraças, das incertezas e das insatisfações quando do alagamento das melhores e mais ricas terras do meu e dos outros municípios. E isto, vejo agora, esta Comissão Mundial muito bem detectou e expôs em seu relatório ao analisar como de fato fez, barragens mundo afora.  Mas,  acontece que hoje, quase cinqüenta anos depois, estamos novamente sendo massacrados pela falta de política do Governo Federal, especialmente após a criação da ONS.-, da Agência Nacional de Energia e da briga política entre o Governador Itamar Franco com o Presidente FHC. Não gostaria de me ater a este problema político, mas me sinto no dever de informar aos senhores que da criação de Furnas até agora, foram gastos,  milhões de dólares em planos feitos pelos americanos (TWV), pelo mais recente feito pelos Espanhóis (GERC_INATUR) e através de outras medidas e planos onde se detectou ao longo do lago, os locais mais apropriados para a exploração turística, da  agricultura, do trato da pecuária e outras atividades. Furnas, se comprometeu a fazer muita coisa em prol das populações e regiões atingidas pela inundação. Tudo está lá, registrado nos papéis, nos documentos de sua fundação,  ainda à época de JK. E nada foi cumprido. Ela apenas tem pago nos últimos anos, aos municípios, irrisórias quantias a título de royalties, que não os recompensa infimamente em relação as perdas havidas. Praticamente nada! De três anos para cá, aquele sonho de que parte das populações atingidas seriam recompensadas com a implantação maciça de projetos turísticos que afloraram na região norte do lago, nas águas doces às quais se referiu o Professor Goldenberg ainda há pouco em seu discurso de abertura desta solenidade, nos vimos, repentinamente,  nesta condição de penúria em que os povos das terras inundadas por Furnas hoje, nosencontramos. Com as águas batendo nos limites mínimos de 12% do volume útil do reservatório, tudo está diferente e os prejuízos são incalculáveis.  Isto significa que barcos, clubes, hotéis, restaurantes e todos os demais projetos ,  investimentos  e equipamentos instalados  na região, todos por haverem acreditado no governo e apostando que o lago continuaria existindo, foram,  todos por água abaixo e o que é pior, exatamente pela  falta dela. E para espanto nosso, através de dados obtidos dentro da própria Furnas Centrais Elétricas, – me perdoem a franqueza, os senhores da ANEEL e de outros órgãos governamentais que me antecederam em suas falas  – demonstramos que a vazão afluente nos últimos três anos, foi muito maior que nos últimos mais de 40, quando a represa se apresentava durante  grande parte do ano, próxima de sua quota máxima, a 768. Então senhores, tudo isto para nós,  é um problema claramente político ou de falta de gestão adequada.  Hoje,  os dados retirados de Furnas  e que estão aqui à disposição dos senhores, mostram que a vazão afluente é inferior à vazão turbinada.  A produção em megawatts, por outro lado é inferior à de anos anteriores  quando  se turbinou menor volume de água. Isto nos leva a crer  que realmente,  tem turbina rodando na banguela , repassando água aqui para baixo. Falo em tom de denúncia, e de um pedido para que esta comissão cuide e bem do assunto,  já que entendemos que a solução para os graves problemas econômicos e sociais destas regiões, como o desemprego instaurado na área do turismo e outras,  a perda dos investimentos feitos até mesmo  em cursos onde  SENAC, SESC e outros foram parceiros,  para a formação  de simples “porteiros de pensões ou hoteizinhos a mâitres , à criação de uma Faculdade de Turismo como a de Formiga, que já entregou ao  mercado cerca de 50 turismólogos”, tudo isto como dito, foi por água abaixo, e exatamente, repito, pela  falta do que antes aqui abundava. E tudo ocorreu não por culpa de São Pedro,  mas certamente por culpa exclusiva de quem coordena esta política de geração de energia ou atendeu a caprichos outros. Depois de tudo interligado, sabemos todos, tanto faz gerar ali no sul, aqui, ou no norte. Prova disto é que na Rede Globo, na última sexta feira, foram exibidas fotos da represa, ou melhor do deserto em que grande parte dela se transformou,  com o solo rachado, e apesar disto se afirmou na mesma matéria que: apesar da falta de chuvas, não faltará energia pois, ela será gerada no sul. Acredito que a matéria foi paga por Furnas e revela em suas entrelinhas algo de muito mais sério. Dizer que não choveu é mentira  e os dados hidrológicos retirados dos arquivos da própria FURNAS atestam que neste ano,  até outubro,  a vazão afluente medida por ela própria, estava 22% acima da medida durante todo o ano anterior. Fica a minha denúncia. Evidentemente os senhores sabem quantos metros de diâmetro tem uma turbina de Furnas, como sabem também quanto se gasta de água para fazer girar aqueles monstros arcaicos. Sabem e conhecem também que já existem turbinas com pouco mais de 3 metros de diâmetro,  gerando tanto quanto aquelas e consumindo infinitamente menor volume de água neste trabalho.  Me parece portanto que, a solução energética,  não está simplesmente em se criar novas barragens. Repito, não sou engenheiro, sou um simples jornalista, mas a lógica de pensamento me leva a assim imaginar. Sei também que a distribuição precisa ser revista pois é impossível se colocar uma polegada de água em um cano de apenas meia polegada e acredito que na transmissão de energia,  o problema deva ser semelhante. Também não sei se o custo de novas turbinas pode ser suportado pelo país, mas, como está se privatizando tudo e  como sempre aparece gente de fora interessada em bons negócios, quem sabe não surge aí alguém querendo trocar uma velha turbina por quatro novas que gerarão e produzirão mais energia para nós, e muito mais riqueza para o investidor consumindo pouca água? Por maior seja o investimento, garanto aos senhores que a economia de água, só em matéria de ganho ambiental, será muito bem compensada. Furnas que patrocina o programa Observatório da Imprensa e se apresenta como uma empresa que se preocupa com a natureza, preocupa mesmo! Em um ano, derrama no lago milhões de alevinos e no outro, abaixa o volume do reservatório de cem para dez por cento,  e,  continua permitindo que o esgoto de 150 cidades e os mais de três mil quilômetros de praias em seu entorno, todo desmatado e sem curvas de nível, derramem toneladas de agrotóxico em suas águas. Se com o reservatório em sua quota normal após as primeiras chuvas encontrávamos milhões de peixes boiando de barriguinha para cima, imaginem os senhores, agora, em que condições está esta pequena quantidade de água armazena em virtude do derramamento de esgotos e de agrotóxicos que certamente aumentaram. A escassez de água, parece-nos lógico, deve dificultar as condições de diluição e a oxigenação pode estar próxima do zero. O  que terá então acontecido com a fauna e a flora do lago?  O crime ambiental ali ocorrido, para mim  é dos maiores já perpetrados contra a natureza neste país. Os senhores me perdoem a franqueza, mas todos,  autoridades e sociedade civil, ao que nos parece, estão de olhos fechados para esta triste realidade. Obrigado.

Outras falas:

Dentre as muitas autoridades que fizeram uso da palavra no momento próprio do debate, destacamos:

Professor Luiz Pinguelli Rosa, vice diretor do COPPE – (Coordenação de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da UFRJ), que disse em determinado trecho de sua fala: “… Outra observação importante é sobre a narrativa do companheiro da cidade de Formiga, que mostrou a situação na região,  pois isto reflete uma má operação dos reservatórios. Todos os reservatórios do nosso sistema integrado aqui no sudeste e centro-oeste são mal operados porque não há equipamentos. Não é possível, infelizmente,  substituir as turbinas por turbinas menores para gerar mais energia. A água que está lá é aquela que vai gerar energia. Não dependerá do calibre da turbina. O problema é que não há água. E o companheiro tem toda razão, não há água só porque não chove, não há, porque o reservatório foi mal operado. Por que foi mal operado? Porque está desotimizado todo o sistema, por falta de novos equipamentos. As termoelétricas estão extremamente atrasadas, e adotou-se portanto, nitidamente, uma tática de esvaziar-se os reservatórios. O que é um absurdo porque é um investimento altíssimo. E agora,  nós estamos vivendo um novo problema que já está atingindo uma população que contava para a sua subsistência com aquela água que repentinamente,  desaparece! Graças a Deus,  chegamos  ao fim do ano sem maior crise, mas o risco é muito alto. A afirmativa do governo de que o risco no ano 2000 é zero em termos de faltar energia é o mesmo que dizer que uma pessoa pode atravessar a avenida Paulista,  às 3 horas da tarde, sem olhar para os lados. E,  sendo uma pessoa muito espirituosa, ao chegar do outro lado, diz que o risco de atravessar uma rua naquelas condições é zero. Absolutamente isto não é correto, só ocorreu porque ela teve muita sorte. Então, o problema do Brasil é que esta questão das barragens é mesmo  muito sério neste momento. É preciso uma política de transição para a termoeletricidade. Eu considero grave a situação destes reservatórios. Não só do ponto de vista elétrico que é gravíssimo mas agora também, cumulado com estes outros problemas correlatos com o reservatório e com relação às águas e quem delas vivia e as viu sumir. E o pior é que a expectativa de baixa continua, porque não há energia suficiente para atender a demanda, porque não há capacidade instalada proporcional.Quanto às hidroelétricas programadas:  primeiro, nem todas serão terminadas e muito menos neste período que delas se  precisa, ou seja, de agora até os próximos três anos.”

A representante da WWF – Brasil – Sandra Charity, Coordenadora do Programa de Conservação e Gestão de Água Doce, (Água para a Vida), também fez uso da palavra e questionou assuntos pertinentes,  posicionando-se igualmente em favor de nossas reivindicações.

NR – Os pronunciamentos e respostas dadas pelos estrangeiros presentes, deixam de ser transcritos por razões óbvias pois, embora tivéssemos contado com a tradução simultânea nos foi impossível pela precariedade de nossos equipamentos gravá-los. Entretanto, a tônica foi a mesma e o consenso geral indica que, as diretrizes descritas no relatório final precisam ser seguidas por todos os países. Voltaremos ao assunto na próxima edição, trazendo aos nossos leitores maiores detalhes sobre o relatório e sua importância para a humanidade.

Ed. 198 - 01/12/2000

ENCONTRO MUNDIAL DISCUTIU O ASSUNTO BARRAGENS

Cresce a movimentação em favor da manutenção das águas de FURNAS

As conclusões do relatório mostram que as comunidades lindeiras  precisam se mobilizar em sua própria defesa.

A solenidade de entrega do Relatório da Comissão Mundial de Barragens, realizada dia 27/11 no auditório da Reitoria da USP teve seus rumos mudados após a intervenção do representante desta cidade pois, à partir dali, o enfoque principal que estava centrado na preocupação com as futuras barragens com base nas experiências passadas, recebeu a contribuição de informações lastreadas com dados obtidos na própria Furnas que atestam a má gestão na operação dos reservatórios nas regiões sudeste e centro-oeste.  Veja às páginas 10 e 11 o que disseram as mais abalizadas autoridades mundiais sobre o assunto. Algumas das denúncias feitas pelo jornalista Paulo Coelho neste jornal há mais de 18 meses, e agora confirmadas por tão importantes e abalizados depoimentos já estão em poder do Governador de Minas que certamente acionará a Procuradoria para as providências cabíveis. Em Formiga, um grupo de empresários em parceria com a FUOM/FATUR inicia nesta semana uma série de atividades com o mesmo objetivo.

Ed.211 - 02/03/2001

CODEMA estuda proposição de ação cautelar contra FURNAS

furnas_pocasA empresa poderá ser responsabilizada pela disseminação da febre amarela e da dengue na região, caso medidas profiláticas não sejam adotadas com urgência

Com o esvaziamento do Lago de Furnas, o município de Formiga certamente se transformou em um dos que mais foram afetados em termos ambientais e, não queira Deus, em matéria de danos à saúde pública.

Com a transformação da maior parte da área inundada em verdadeiros brejos e com a inevitável formação de milhares de pequenas poças d‘água, a região se transformou em potencial ponto de proliferação das larvas do transmissor da dengue e da febre amarela.

Certamente poderá ser o maior criatório do aedes-aegypti neste oeste de Minas, onde já se detectou inúmeros casos de dengue e de febre amarela, que provocaram, até esta data, 11 mortes notificadas oficialmente.

Uma ação urgente de profilaxia na extensa área que abrange Ponte Vila, Furnastur, Edentur, Mangueirão, Encosta do Lago, Cunhas, São Pedro, Boa Esperança e outras localidades será exigida para que o combate urgente, através da desinfecção das poças formadas e da vacinação casa-a-casa de toda a população da orla de Furnas, estanque o que, para alguns infectologistas consultados, pode ser inevitável.

Durante o carnaval, a população flutuante que visitou a orla de Furnas neste município foi, como sempre, de alguns milhares de pessoas e, destas, muitas vieram das regiões onde a dengue e a febre amarela foram detectadas.

Será que dentre tantos, não havia infectados?

A responsabilidade de Furnas certamente não se reduzirá à área do município de Formiga, pois é sabido que em cidades vizinhas a situação não é diferente.

Os Prefeitos devem se mobilizar e a própria Secretaria de Saúde Estadual e/ou Procuradoria devem agir com urgência.

Resolvido o problema de saúde pública, restam os danos ambientais que, conforme a lei, precisam ser reparados.

Também os empresários regionais, que investiram no multiuso das águas, devem igualmente propor ações judiciais para reaverem seus prejuízos.

Parece-nos claro que os objetivos da desapropriação, no tocante ao multiuso das águas, não foram cumpridos, especialmente nos últimos três anos e, segundo a Constituição, uma ação neste sentido é perfeitamente cabível.

Já a Lei 9605, de fevereiro de 98, na Seção III “Da Poluição e outros Crimes Ambientais”, no artigo 54, preceitua: Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou provoquem a mortandade de animais ou destruição significativa da flora:

Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa.

§ 1º . Se o crime é culposo:

Pena – detenção, de seis meses a um ano, e multa.

§ 2º. Se o crime:

I – tornar uma área, urbana ou rural, imprópria para a ocupação humana;

II- causar poluição atmosférica que provoque a retirada, ainda que momentânea, dos habitantes das áreas afetadas, ou que cause danos diretos à saúde da população;

III- causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do abastecimento público de água a uma comunidade;

IV- dificultar ou impedir o uso público de praias;

V- ocorrer por lançamento (…)

Pena – reclusão, de um a cinco anos.

§ 3º. Incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível.

Ed.212 - 09/03/2001

Uma lágrima no rosto de Minas

“… Vai chegar uma hora em que vão ter de diminuir a vazão ou lago vai secar por inteiro…”

Henrique Badaró*

O lago de Furnas está secando. Está é uma constatação que dispensa medições, técnicos especializados e outras parafernálias tecnológicas. Até uma criança percebe, ao olhar para o lago, que alguma coisa está errada.

Nas comunidades das cidades banhadas pelo lago, com aproximadamente 800 mil pessoas que, de uma forma ou de outra, têm sua vida intimamente ligada a ele, circula a informação de que a direção de Furnas diz que precisa gerar energia para atender à demanda e “faturar”. Como saber se há consistência nisso? Se esta situação permanecer como está corre-se o risco do comprometimento de todo o lago uma vez que o índice pluviométrico anda baixo, não havendo reposição das águas na mesma velocidade da vazão.

Vamos supor que a situação permaneça como está. Turbinas a todo vapor e falta de chuvas. Mais grave ainda, que a região passe por um período severo de estiagem. Vai chegar uma hora em que vão ter que diminuir a vazão ou o lago vai secar por inteiro. Não estou falando em um ou dois anos, mas cinco ou dez. Então, por que não começar a recompor o nível do lago imediatamente?

Mas afinal, quem é esta tal de Furnas de que todo mundo fala? Fundada em 28 de fevereiro de 1957 (vai completar 44 anos!) pelo Decreto Federal no 41.066, é controlada pela Eletrobrás, vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

O sistema tem uma capacidade geradora instalada de 9.290 MW, contando com usinas hidrelétricas e duas termelétricas. Das principais destacam-se, pela ordem, Itumbiara com 2.082 MW (22,41%), Maribondo com 1.440 MW (15,50%), Serra da Mesa com 1.275 MW (13,72%), Furnas com 1.216 MW (13,08%) e LC Barreto de Carvalho com 1.050 MW (11,30%). Em seu balanço energético, o sistema teve, em 1999, em energia disponível líquida para suprimento 129.900 GWh, sendo 39.343 GWh de geração bruta, 84.302 GWh comprados de Itapuí, 13.413 GWh comprados de outras empresas e 7.413 GWh constituíram perdas e consumo próprio. Da geração bruta do sistema. Furnas responde por 13,6% ou 5.362 GWh.

Uma olhadelha sobre os dados financeiros da empresa revela muita coisa. Queda de 7,58% na receita operacional, passando de US$3,56 bilhões em 1998 para US$3,29 bilhões em 1999. O lucro líquido da empresa caiu nada menos que 50%. Isto mesmo, cinqüenta por cento, passando de US$375 milhões em 1998 para US$187 milhões em 1999. A remuneração do patrimônio líquido caiu 17,7% de 1998 para 1999, passando de 4,5% para 3,7%. Uma questão intrigante é por que Furnas não comprou energia da Cemig em 1999 como vinha fazendo. Comprou 3.576 GWh em 1995, 929 GWh em 1996, 1.860 GWh em 1997 e 1.783 GWh em 1998.

As tarifas médias cobradas por Furnas são as seguintes: US$19,3 por MWh na energia própria, US$27,00 por MWh no repasse de Itaipú e US$1,9 por MWh no transporte de Itaipú. Estes números talvez revelem a resposta. Por que não se pode diminuir um pouco a geração de energia de Furnas (responsável por 13,6%) aumentando a oferta de outras usinas do sistema? A busca de recuperação de receita operacional, lucro líquido ou remuneração de patrimônio líquido por si só não explica o grande prejuízo causado a milhares de pessoas. Só no município de Formiga, o turismo gera 500 empregos, e milhares de outros nas outras cidades. Nosso país tem que investir nesta atividade que gera emprego e renda sem poluir ou degradar o meio ambiente. O que se vê é o contrário. Furnas coloca em risco a perda de milhares de dólares de brasileiros que pagam seus impostos e merecem respeito. Não cabe à empresa “julgar” quem fica ou quem sai, quem ganha ou quem perde.

Milhares de pessoas dependem de atividades ligadas ao lago e nele depositaram seus sonhos e esperanças de obtenção de uma vida melhor num país “árido” em oportunidades. Vários empresários colocaram ali suas economias investindo em projetos turísticos, apostando tudo no chamado “Mar de Minas”. Colocaram ali mais que dinheiro, colocaram seu suor, seu sangue, seus sonhos, suas vidas.

O Sr. Luiz Carlos Santos, Diretor Presidente de Furnas – Centrais Elétricas S.A, lá do Rio de Janeiro, do alto de seu gabinete, onde está a sede da empresa, tem nas mãos uma delicada e importante questão, que não é insolúvel. Depende dele ter a sensibilidade para entender que atrás de MW’s e GW’s existem bocas para serem alimentadas e pessoas que dependem do lago para tirar seu sustento.

Essa dor é ainda maior, pois os destinos daquela gente estão traçados não por Deus, mas por homens insensíveis para enxergar as graves conseqüências da manutenção desta rota de colisão!

*Economista, mestre em Administração de Negócios pela Universidade de Saint Tomas, EUA

Ed.213 - 16/03/2001

Mar de Minas vira sertão

Qual é a verdade? A responsável será mesmo a ONS*?

É incrível a história que Ministros, presidente de Furnas, ONS, outros órgãos governamentais e diversas autoridades andam divulgando através da imprensa.

Em primeiro lugar, uma empresa procura mostrar sua preocupação com o meio ambiente, no caso FURNAS CENTRAIS ELÉTRICAS, está, a nosso ver, divulgando propaganda enganosa, o que é crime.

Em Minas, desconhecemos sua ação neste sentido. Ao contrário, os danos causados à flora e à fauna, à economia do Estado e ao bem estar social dos que dependem da regularidade de manutenção dos níveis do lago são incalculáveis.

A desculpa da falta de chuvas, ao menos na região em que se insere a cidade de Formiga, é mera enganação, comprovada pelos gráficos e dados obtidos junto a fontes oficiais.

Em Formiga, os índices pluviométricos assim se comportaram:


Em se tratando de projetos ambientais, ao contrário do que acontece em Minas, a atuação da empresa, resumidamente, em outros estados, é a seguinte:

Em Goiás, Tocantins e Mato Grosso, existem sim, e isto reconhecemos, inúmeros projetos da empresa, neste sentido.

Os projetos Avá-Canoeiro, os Parques Nacional da Chapada dos Veadeiros, Estadual Terra Ronca, Estadual da Serra de Caldas Novas, Estadual dos Pirineus e o Ecológico Ulisses Guimarães são por ela amparados, todos no Estado de Goiás.

Em Tocantins, ampara financeira e tecnicamente a Área de Proteção Ambiental de Santa Tereza e a área de Proteção Ambiental da Ilha do Bananal/Cantão.

No Mato Grosso, a Área de Proteção Ambiental de Chapada dos Guimarães e a de Cabeceiras do Cuiabá também recebem ajuda de Furnas.

No Distrito Federal, os Parques Ecológicos Olhos D’água e Guará e o Distrital JK.

Também o Parque Nacional da Serra da Bocaina, entre o Rio e São Paulo, é por ela amparado.

E em Minas?

Ao que constatamos nos próprios relatórios da empresa, pouca ou nada se tem feito neste sentido.

De concreto mesmo, os criatórios de transmissores de Dengue e Febre Amarela, nas poças de água de chuva que se formam nos milhares de quilômetros quadrados de pântano que se formaram junto aos municípios lindeiros, todos com certificação de Potencial Turístico emitido pelo Ministério próprio.

E ao que apuramos, chamada às falas pelos representantes do Ministério Público, a empresa se esquiva de suas responsabilidades dizendo que, ao ser criada a Lei Ambiental, não existia e que o esvaziamento do lago é da responsabilidade da Operadora Nacional do Sistema

Que seja, mas se é para ficar assim, que nos devolvam nossas terras!

Os gráficos à primeira página espelham as médias pluviométricas neste município que, como os demais, está inserido numa região, e o que vem acontecendo nos últimos três anos com maior evidência, escondendo algo de mais sério que falta de chuvas, o que, pois, se comparados com a média dos últimos 50 anos, esta não está tão alterada.

A média anual dos últimos 50 anos, segundo dados oficiais, nesta cidade foi de 1.412.00 mm. Em 1998, a média foi de 1.528,81, em 1999 de 1.352,00mm e a de 2.000 de 1.594 mm.

Portanto, considerada a média dos últimos 3 anos e comparada com a média dos últimos 50 anos, ela está superior em 91,7 mm.

Estes dados são da região de Formiga, mas será que, no restante das bacias que contribuem para a formação do lago, as coisas aconteceram de maneira tão diferente que justificasse o atual estado de coisas?

Estamos mais propensos a concordar com o que afirmou o Prof. Luis Pinguelli Rosa, na solenidade de encerramento do Encontro Mundial de Barragens: “Faltou investimento, faltou gerenciamento e o que é pior, existiu uma política deliberada de esvaziamento dos reservatórios na região à qual nos inserimos”. Terá sido problema político?

É de se esperar que os mineiros Aécio Neves, Roberto Brant e Carlos Melles e tantos quantos possam defender este Estado, assim como os prefeitos e populações atingidas, somem seus esforços aos do Ministério Público e do Governador do Estado e exijam que Furnas cumpra suas obrigações para com os mineiros.

Esmolas de pinturas de igrejas, reformas de pracinhas, construção de mata-burros em determinadas cidades, nada representa em relação ao meio ambiente se comparado ao que a empresa faz em Goiás, Mato Grosso, Tocantins e outros.

A hora é essa. Partamos para a busca de nossos direitos, pois o multiuso das águas não está respeitado e, dessa forma, descumprida a lei, pois o objeto da desapropriação, ao que parece, foi claramente desviado.

Indenização, terras de volta ou um acordo muito bom, onde os danos ambientais e sociais sejam reparados. Isto é o que a população exige! Autoridades, mãos à obra!

Ed.215 - 30/03/2001

Interesses de Formiga são defendidos junto à Secretaria de Turismo

O presidente do CODEMA desta cidade, jornalista Paulo Coelho, esteve na manhã do dia 27/3 reunido com o Secretário de Turismo do Estado de Minas Gerais, Deputado Manoel Costa e com seu secretário-adjunto, Dr. Antônio Henrique, quando teve oportunidade de, em companhia do engenheiro Henio Bottrel, apresentar o projeto de autoria do mesmo e que visa perenizar o nível das águas de Furnas nos braços que banham a região de Furnastur, Mangueirão, FIC, Marina, Pontevila, Encosta do Lago e Cunhas.

Solicitou o empenho daquelas autoridades no sentido de que auxiliem nas gestões junto a Furnas e a outros órgãos e, na oportunidade, fez a entrega de alguns documentos contendo dados e levantamentos feitos nos últimos anos sobre o comportamento dos níveis da represa de Furnas, em função dos índices pluviométricos dos últimos 50 anos, além de analisarem outras informações sobre as questões políticas entre os governos federal e estadual, que tudo indica, têm trazido sérios prejuízos econômicos para este Estado.

Também sobre o ponto de vista ecológico, foi analisada a questão, de vez que é da intenção dos Promotores de Justiça de Minas e de São Paulo, assim como dos Procuradores Federais da Bacia do Rio Grande, exigirem de Furnas a reparação e indenização pelos danos ambientais causados à região.

Aliás, esta postura foi, inclusive, preconizada no relatório da Comissão Mundial de Barragens, que, sediada na cidade do Cabo – África do Sul, analisou, durante dois anos, diversas barragens espalhadas pelo mundo e concluiu que os crimes ecológicos e os danos causados à natureza, assim como os desequilíbrios sociais por elas causados, precisam de alguma forma ser recompensados com ações em favor das comunidades atingidas.

Para o Secretário Manoel Costa essa questão precisa ser tratada de uma maneira mais ampla, tendo inclusive disponibilizado ao jornalista cópia de um documento à ANEEL, onde aquela agência, em princípio, estuda a possibilidade de manutenção do nível do lago na cota mínima equivalente a 760.

No documento, a ANEEL e a ONS confessam o uso das águas retidas em Furnas para o favorecimento de geração de energia no sul, esquecendo-se, portanto, de que o objeto da desapropriação (multiuso das águas) foi totalmente esquecido, o que, pela constituição em vigor neste país, torna a desapropriação passível de anulação e, inclusive, garante indenização aos que se sentirem lesados.

Estudo Técnico Preliminar de Viabilidade de Implantação de Barragens no Lago de Furnas

Henio Bottrel de Moura – Engenheiro Civil

O presente estudo tem como objetivo lançar a idéia de preservar o nível do reservatório do lago formado pela hidrelétrica de FURNAS no Município de FORMIGA. Trata-se de um estudo suscinto de viabilidade técnica e econômica, onde foram analisados os locais de implantação, visando uma baixa relação custo / benefício para que esta fase seja superada e estudos mais profundos sejam realizados para execução desta grande e importante obra de preservação dos recursos hídricos locais, segurança, qualidade de vida para a geração atual e sobrevivência de gerações futuras.

Dos objetivos da obra:

A constante variação do nível do reservatório da Hidrelétrica de Furnas tem causado sérios problemas de ordem Econômica e Ambiental para o Município de Formiga, acentuado nos últimos anos pelos baixos níveis registrados, inibindo o desenvolvimento do setor turístico e degradando o meio ambiente, alterando de forma dramática o comportamento do ECOSSISTEMA de sua influência. O nível do reservatório na cota 768 a 765, mantido por vários anos, modificou o ecossistema regional atingindo a estabilidade do Meio Físico, Meio Biológico e Meio Antrópico, que atualmente se encontram totalmente desequilibrados, causando impactos ambientais de grande monta. A redução do volume de água do reservatório à cota 755,58 ( em 26/03/2001 ), isto é, 12,42 m abaixo do nível máximo, influencia diretamente toda a extensão territorial do Município de Formiga, 1508 Km2, se considerados os meios acima descritos.

A proposição, objeto deste estudo, busca restabelecer o equilíbrio da área impactada através da execução de barragens de regularização do nível do reservatório na área de maior impacto, estabilizando o Ecossistema local e somando benefícios aos meios físico e antrópico.

Da localização da obra:

Após estudos preliminares, dentre as alternativas existentes a escolha do local se efetivou pelos seguintes pontos favoráveis:

  • Maior extensão de área recuperada.
  • Interligação entre as diversas comunidades separadas pelo lago.
  • Manutenção do nível adequado do reservatório para as atividades turísticas da maior parte dos Balneários já instalados no Município.
  • Alavancagem e retomada das atividades agrícolas que utilizam técnicas de irrigação.
  • Proteção de micro bacias da região.
  • Aproveitamento hídrico dos dois maiores Rios que cortam o Município, com capacidade de manutenção constante do nível do futuro reservatório.
  • Geologia local adequada à implantação da obra.
  • Topografia que admite a interligação de micro-bacias, permitindo assim o controle das variações de máxima cheia com segurança.
  • Tempo relativamente curto para preenchimento do reservatório em função das bacias contribuintes.
  • Área favorável à implantação de obras subterrâneas.
  • Ausência de problemas típicos da bacia de inundação, tais como, assoreamento, fuga de água e estabilidade das vertentes.
  • Materiais de construção passíveis de exploração na própria área.
  • Altura do nível de água à jusante da barragem sempre acima de zero, podendo até atingir o nível desejado à montante da mesma, trazendo estabilidade ao corpo de aterro e minimizando efeitos de percolação.
  • Pequeno impacto ambiental na exploração de materiais para construção, pois o solo se encontra desnudado pela prática de atividades agro-pastoris locais.
  • Perímetro das margens após o represamento, 57 Km, o perímetro atual não ultrapassa de 29 Km, com pequena profundidade impossibilitando a prática de esportes náuticos.

O local para implantação da obra se situa nas seguintes coordenadas geográficas:

  • LATITUDE: 20° 38’
  • LONGITUDE: 45° 37’

Da concepção da barragem:

TIPO: Barragem de terra – Barragem de enrocamento com núcleo argiloso simétrico

As barragens de terra têm sido construídas numa grande variedade de fundações, variando desde rocha branda a depósitos não consolidados ou até em rochas sedimentares metamórficas ou magmáticas altamente resistentes. Uma vantagem particular da Barragem de Terra, quando comparada com outro tipo, é que a preocupação da resistência da fundação é muito menor. Pequenos assentamentos em Barragens de Terra, devidos às tensões de carga durante e após a construção geralmente não são problemas sérios porque as mesmas podem ajustar-se a pequenos deslocamentos sem se romperem.

Serão necessárias duas barragens distintas para atender aos propósitos acima descritos, com 1500m e 900m de extensão, respectivamente. O mapa de situação planialtimétrico em anexo ilustra esta proposição.

A utilização de vertedouros de extremidade facilitam a utilização da crista da barragem como pista de rolamento para interligar as comunidades rurais e contribuem para o fator segurança.

O canal, assinalado no mapa de situação, realiza a ligação das micro-bacias equilibrando as mesmas.

Ed. 216 - 06/04/2001

O prejuízo imposto por Furnas aos mineiros vem de longe. Muito longe…

Enganam-se todos quantos acreditam naquela propaganda enganosa que, a nosso ver deveria ser objeto de ação pelo PROCON, em que a poderosa afirma: “Furnas, uma empresa com preocupação ambiental”, ou coisa que o valha.

Fosse isso verdade, mais de cem espécies da fauna e da flora não teriam sido dizimadas nesta região durante os trinta e poucos anos em que alagaram grande área destas Minas Gerais.

Mas, capital é capital. Poder é poder!

E quem pode, ou acha que pode, especialmente neste governo, pode muito!

A covardia contra os mineiros começou há muitos anos. À época da desapropriação, dos suicídios, da instalação da miséria em muitos lares antes produtivos e se não ricos, pelo menos remediados, em termos da geração de renda para o sustento familiar, a coisa já andava na contra-mão de nossos interesses.

Um exemplo clássico, dentre os milhões existentes, está aqui estampado.

Com o produto obtido pela indenização de 282,60 ha, o cidadão “X” (DOC. 1), recebeu do governo (leia-se, Furnas), a importância de CR$ 16.600,00 (dezesseis mil e seiscentos cruzeiros), colocados à sua disposição.

Pois bem, a nota fiscal de número 205092, nos mostra que àquela época dois bois valiam CR$ 1.800,00, ou seja, CR$ 900,00 cada.

Portanto, os 282,60 ha de terra do cidadão, valeram o equivalente a pouco mais de 18 bois.

Sem dúvida alguma, foi um “negócio da China”, só que para a poderosa Furnas.

À época, os documentos oficiais atestam, foram expropriadas cerca de 8.000 propriedades.

Se a base de cálculos for semelhante a esta acima descrita, poderemos concluir que fomos, nós os mineiros, tungados pela poderosa e governo federal que agora, sob a batuta de FHC, quer doar para sabe-se lá quem, aquilo que nos tomou covardemente no passado.

É hora de acordamos, mineiros!

Ed. 217 - 12/04/2001

Uso de FGTS para compra de ações de Furnas deve demorar

barragem_furnasProvavelmente, quem pretendia utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS para exercer o direito de compra de ações no processo de privatização de Furnas, deverá aguardar até o próximo governo.

Analistas de mercado estão céticos no que toca à viabilidade de a empresa ser privatizada ainda neste governo.

Os “experts” que acompanham diariamente o setor de energia, afirmam que não há tempo hábil para a privatização e a informação partiu do Banco Santander, por intermédio do Sr. Eduardo La Pena, conforme noticiou a Folha de São Paulo.

A grande animação no sentido de utilização de recurso advindos do FGTS partiu dos que acreditaram no esquema proposto e investiram na compra de ações da Petrobrás.

O CND – Conselho Nacional de Desenvolvimento, estabeleceu que poderão ser usados até 60% do saldo apresentado nas contas do FGTS para a compra de ações de Furnas.

Espera-se que no início do próximo ano, mais precisamente no primeiro trimestre, se iniciem as vendas do controle acionário da empresa hidrelétrica.

Semana passada, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou projeto que proíbe a privatização de companhias elétricas mas, existem informações de que a base governista na primeira oportunidade irá derrubar tal decisão.

De qualquer forma, é uma ducha fria no andamento do processo de privatização o que reforça a tese de que a hora e a vez de se aplicarem os recursos dos trabalhadores, em caso de privatização ficou postergada.

A estratégia do governo consiste em separar a empresa da Eletrobrás e depois, dividi-la em outras duas empresas: uma de geração e outra, de distribuição.

Para Marcos Severine, analista da corretora do Sudameris, a privatização deve ser vista como em um horizonte a longo prazo e a parcela a ser colocada à venda, vale R$ 6,7 bilhões.

Ed. 218 - 20/04/2001

Grande Mobilização em Defesa de Furnas

Vai se fechando o cerco contra a privatização de Furnas e em defesa do meio ambiente, por ela deliberada e flagrantemente degradado.

Promotores de Justiça dos Estados de Minas e São Paulo e Procuradores Federais, agem exigindo as imediatas reparações ambientais. As cidades lindeiras promoveram durante a semana, a exemplo do que ocorreu em Formiga, audiências públicas com a presença de presidentes e componentes das diversas Câmaras Legislativas, autoridades, Codemas, ALAGO, AMVI, outras associações que congregam municípios, ONGs e representantes das comunidades. Outras cidades, não lindeiras também presentes, hipotecaram sua solidariedade e fortaleceram o movimento.

A CUT, Sindieletro, OAB, e agora, a “Frente Parlamentar Jorge Hans”, formada por mais de 70 deputados estaduais, além de diversos prefeitos e representantes de inúmeras Câmaras municipais se reuniram dia 19/4, por iniciativa do Deputado Anderson Adauto e acertaram a realização de um grande ato público a ser realizado em primeiro de maio, na Barragem de Furnas.

As prefeituras dos 34 municípios congregados pela Alago disponibilizarão ônibus, lanches e material necessário para que a concentração receba pelo menos dez mil pessoas da região que neste movimento já denominado de “Marcha do Primeiro de Maio”, através de um apitaço e de outras atividades programadas, a população e suas lideranças possam demonstrar a sua insatisfação contra mais esta já anunciada medida de entrega de “mão beijada” do patrimônio público nacional e, com isto, fortalecer o despertar da consciência nacional contra a mesma e alertar para os graves problemas gerados pela gestão irresponsável do sistema hidrelétrico por parte dos órgãos federais.

Presentes e hipotecando apoio ao movimento, e, mais que isto, colaborando financeiramente e disponibilizando a logística da Assembléia, mandando confeccionar cartazes folhetos e auxiliando no pagamento de outras despesas, vários deputados estiveram no local da reunião de trabalho que durou cerca de 5 horas. Dentre eles, o deputado Alberto Pinto Coelho, Ivo José e Marcos Régis

Da cidade de Formiga, estiveram presentes o prefeito Juarez Carvalho, acompanhado da Sra. Heloisa Calcagno, o presidente da Câmara Municipal, Aluísio Veloso; os vereadores Sebastião Rangel e Moacir Alves (Galo Véio) e o jornalista e presidente do Codema, Paulo Coelho.

Ed. 220 - 04/05/2001

Furnas: Privatização, não!

furnas_094furnas_095Vai tomando corpo o movimento contra a privatização de Furnas.

Mais de 10.000 pessoas se reuniram neste primeiro de maio, na cidade de São José da Barra e em ato público protestaram contra a intenção do Governo Federal de privatizar a empresa.

Cerca de 50 prefeitos estiveram presentes, centenas de vereadores, 10 deputados estaduais e 4 federais, a saber:

  • Federais:
    • Sérgio Miranda (PCdoB);
    • Virgílio Guimarães;
    • Nilmário Miranda;
    • Maria do Carmo Lara (PT).
  • Estaduais:
    • O Presidente da Assembléia, Antônio Júlio (PMDB);
    • O ex-presidente Anderson Adauto;
    • Márcio Cunha;
    • Eduardo Brandão (PMDB);
    • Marco Régis (PPS);
    • Ivo José (PT);
    • Alberto Pinto Coelho (PPB);
    • Dilzon Melo (PTB);
    • Rogério Correia (PT);
    • Adelmo Leão(PT).

Participaram também da manifestação através de seus representantes as mais diversas entidades: CUT estadual e nacional, CGT, MST (Movimento dos Sem Terras), Sindifurnas, Sindieletro, Alago, UNES, UME, (estudantes) e diversas outras entidades representativas da sociedade civil, engrossaram as fileiras e os gritos de mais de 10.000 pessoas, vindas das trinta e quatro cidades que compõem a bacia lindeira de Furnas e outras que pertencem à bacia do Rio Grande e São Francisco.

Shows musicais, artísticos e culturais foram alternados com os diversos pronunciamentos para não cansar a platéia.

O governador Itamar Franco foi homenageado pelo presidente da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, tendo sido lembrado pelo Deputado Antônio Júlio como o primeiro dos políticos a se levantar contra a privatização de Furnas e na oportunidade informou que estava a pedido do governador, o representando naquele ato.

Segundo informações do major Wilson Braga Cardoso, sub-comandante do 12º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Passos, a manifestação pacífica, que registrou índice zero de ocorrências, contou com a presença segundo cálculos, de mais de 10.000 pessoas.

Outras mil, não conseguiram chegar por estarem retidas no moroso serviço de balsas que atende a região.

A tônica dos protestos foi contra as privatizações já realizadas e as anunciadas pelo governo, mas, houve também muita crítica e disposição de todos de se lutar em favor da CPI da Corrupção e de se exigir a cassação dos mandatos de Arruda, ACM e Barbalho.

O Deputado Sérgio Miranda (PCdoB), finalizando sua fala chegou a afirmar: “se vamos caçar os senhores Antônio Carlos Magalhães, Luis Roberto Arruda e Jader Barbalho, e há disposição para isto, em sendo a principal motivação a comprovada existência de corrupção, precisamos caçar o pai deles todos, o Sr. Fernando Henrique Cardoso, vendilhão da pátria”.

Dr. Aureliano Chaves de Mendonça, ex-vice-presidente da República, ex-governador de Minas, e ex-Ministro de Minas e Energia, em sua longa fala, fez questão de explicar que sempre assumiu todas as posições políticas, por mais criticadas fossem, com o único intuito de servir à pátria, e que, por seus atos sempre respondeu, não fugindo hora alguma de suas responsabilidades.

Disse ele: “hoje estou afastado da atividade política nacional, mas, não me afasto nem me afastarei de todos os atos que se realizassem, seja onde quer que aconteçam, desde que em defesa do interesse nacional”.

Teceu sérias críticas ao governo FHC e relembrou parte da história do Brasil para, ao concluir, deixar para o registro da história, e é o que fazemos neste instante, a seguinte e lapidar frase, que tão bem resumiu o pensamento e sentimento de todos que ali se encontravam, afirmando: “…Que me perdoem a adjetivação, mas este processo de privatização resulta de burrice ou de má fé. Nós não podemos nos associar nem à burrice nem à má fé de nossas autoridades”.

As manifestações contra a privatização seguirão agora, não só em Minas mas em todo o país, engrossadas com as exigências de instalação da CPI da Corrupção e de cassação dos três senadores (Jader Babalho, ACM e Luis Arruda).

Especificamente sobre o problema relativo à privatização de Furnas, acontecerá no próximo dia quatro, em Boa Esperança, uma grande movimentação de lideranças, de onde, provavelmente, algumas medidas jurídicas já em adiantada fase de estudos, sejam definidas e tomadas as primeiras providências neste sentido.

As cidades grandes campeãs na mobilização popular foram Boa Esperança e Formiga, que levaram respectivamente 22 e 12 ônibus com manifestantes.

Mas todas, sem exceção, desempenharam bem o seu papel, conscientizando as respectivas populações e é claro, trazendo número de manifestantes de acordo com suas condições populacionais e capacidade de mobilização.

Após a conclusão das manifestações, nos salões do Escarpas do Lago, município de Capitólio, houve um encontro de peemedebistas de toda a região ao qual compareceram cerca de 300 pessoas. Prefeitos, vices, vereadores e membros das comissões e diretório do partido, ouviram as falas do presidente Armando Costa, dos Deputado Anderson Adauto e Antonio Julio e tiveram oportunidade também de falarem e de reivindicarem o que julgavam de correto para o engrandecimento do partido que, segundo a opinião geral, tem tudo para assumir mais uma vez o poder neste Estado e deverá caminhar para a candidatura própria para a presidência em 2002.

O sentimento geral foi o de que ainda é muito cedo para se definir nomes nas esferas estadual e federal pois, do resultado do episódio ACM/Arruda/Barbalho, se cassados, sairão novos rumos para a política nacional e o partido, sem dúvida, será o, grande beneficiado por sua atual credibilidade.

Se há um outro fruto que esteja apodrecido, vamos extirpá-lo. Aqui em Minas, estamos pelo consenso no diretório estadual pois, o futuro deste país, certamente dependerá de nossas decisões. Portanto, não nos cabe agora precipitá-las, afirmou um deputado presente.

Concordaram com ele grande parte dos prefeitos que se aglomeravam ao seu lado.

O Prefeito Juarez Carvalho, vice presidente da Alago e homem de reconhecida liderança dentro dos 34 municípios por ela congregados foi, inclusive, convidado para desempenhar a função de Delegado na Convenção Nacional.

Meninos, eu vi!

Paulo Coelho – prcrocha@gmail.com

1964, e eu com 18 anos. Seguiram-se uns cinco ou seis anos e as coisas, em termos de liberdade foram se arrochando. Muitos tiveram a chance de exercer o direito de ir e vir, apenas para irem. Voltar, nunca mais! Para onde foram, ninguém sabe, ou melhor, sabemos, mas, como comprovar?

E eram brasileiros, muitos possuidores de “cabeças brilhantes” não pela cor dos cabelos ou pelo uso de tinta como fizeram, certa vez, os caras pintadas. As deles, brilhavam por dentro.

Certamente cintilavam internamente a ponto de deixarem escapar parte de seu brilho de indignação, de revolta ou de amor à pátria, até quando viam tremular o pavilhão nacional ou ouviam acordes do hino nacional, no mato, nos diretórios, em reuniões cada vez mais vigiadas, em praças públicas onde mais de dois reunidos era considerado ato ilegal e motivo mais que suficiente para se levar paulada e ganhar a condução gratuita para o DOPS ou mesmo nas igrejas onde os membros da “redentora de 64” foram muito bem acolhidos, especialmente aqui pelas bandas do sudeste.

Em um parênteses e, apenas a título de informação, ontem assisti estarrecido a fala de um bispo que rezava e pedia a Deus proteção para uma de suas ovelhas, ou melhor, para o “cordeiro ACM”, prestes a ser imolado. Isto para mim é… bem, deixa pra lá, voltemos ao principal, retornemos à década de70.

Sucederam-se os governos militares. Um deles, aliás, o primeiro, com a morte de seu chefe maior, Castelo Branco, até hoje deve à sociedade brasileira, a verdadeira história de sua morte que, para mim, está muito mal explicada. Não que ele fizesse falta ou merecesse qualquer defesa por seus atos, mas, simplesmente, porque entendo que a história de um país não pode ser encoberta por estórias fantasiosas como as que hoje, por exemplo, ouvimos lá no Senado contadas por alguns protagonistas que também atuaram naquela época. Se a história precisa ser registrada para a posteridade, o mínimo que se exige é que ela conte a verdade, não em partes, mas inteira e principalmente tenha um relato íntegro.

E quem viu muita coisa no passado, quem participou de parte da vida política deste país até mesmo sem ser político e que, neste 1º de Maio esteve presente ao ato realizado por mais de 10.000 pessoas em São José da Barra (Furnas), pôde perceber que apesar dos pesares, muita coisa ocorreu e as mudanças que talvez nos tenham passado despercebidas, o presente, no-las mostrou com tal clarividência que chegamos a ficar perplexos por alguns segundos.

Lá estavam, bem à nossa frente, num mesmo palanque, nada menos que: o respeitável e venerável Dr. Aureliano Chaves de Mendonça, líderes da CUT, da CGT, do MR-8, do MST, de diversos sindicatos e entidades, representante do MST (Sem Terra), deputados federais e estaduais dos mais variados matizes e colorações, do PMDB autêntico (não havia ninguém da banda podre, ao menos, no nosso entender), do PFL, do PT, do PCdoB, o presidente da Assembléia Legislativa do Estado, o ex-presidente daquela casa, prefeitos representando os mais diversos partidos e co-ligações, presidentes de Câmaras, Vereadores, secretários de governo, representantes do governador do Estado, líderes estudantis, empresários, elite (lá estavam muitos que a representam) e povão. Todo mundo de mãos dadas, braços erguidos, cantando o Hino Nacional, executado pela Banda da nossa EMMEL.

Entre arrepios e muita emoção (sou daqueles que costumam chorar quando ouvem o hino ou assistem nosso pavilhão ser hasteado), acabei percebendo que o país realmente mudou, e para melhor!

E esta percepção, ao final das diversas falas se tornou muito mais clara, pois, agora tenho a certeza que o povo brasileiro está pronto para fazer o que é preciso.

A exemplo do que ocorreu nas “Diretas Já” ou no episódio “Collor” quando os caras pintadas conseguiram depor um presidente, hoje, há um sentimento generalizado que exige e ali isto ficou muito claro, basicamente três coisas:

  1. Que cesse imediatamente a venda do patrimônio nacional, especificamente das hidrelétricas das quais Furnas é a bandeira maior, assim como de outros já programados como Banco do Brasil e CEF;
  2. Que sejam cassados os três Senadores (ACM, Barbalho e Arruda) e instaladas as CPIs;
  3. Que Fernando Henrique rompa com o FMI e seus patrões, restaurando a dignidade do povo brasileiro e dando uma guinada total nesta política neoliberal burra e sado-masoquista que só desgraça trouxe ao povo brasileiro. Se ele não ouvir mais a voz do povo conseqüentemente dos que o representam (legislativo), pode arrumar as malas, pois, ao primeiro grito de um líder mais forte o povo estará mobilizado e pronto para a luta.

A luta contra a privatização de Furnas, a defesa do meio ambiente na área de influência do lago, se por um lado nos tomou tempo, saúde e até algum dinheiro, só pelo prazer desta conclusão explícita e consensual neste 1º de Maio, pela grandeza e qualidade dos segmentos ali representados, valeu!

A exigência dos futuros candidatos à presidência de que se comprometam com o resgate do que nos foi surrupiado através das privatizações, certamente inibirá outras tentativas neste sentido e mais, abre ao povo a perspectiva de dias melhores, pois, ao que parece, surgiu uma luzinha no fim do túnel e ela está amparada por toda a sociedade brasileira, independente de credo ou cor partidária, de condição financeira ou de posicionamento dentro da escala social.

É unânime o sentimento de repulsa aos vendilhões da pátria!

Te cuida Fernandinho, amanhã poderá ser tarde demais!

Ed. 221 - 11/05/2001

Furnas foi motivo de debate em Boa Esperança

furnas_170A cidade de Boa Esperança foi sede, na última sexta-feira, dia 11/4, de mais um encontro entre Prefeitos, presidentes de Câmaras, vereadores e outras autoridades e representantes da sociedade civil para debater o assunto: Privatização de Furnas.

O prefeito da cidade de Guapé, José Rogério Lara, que também é o presidente da ALAGO, associação que reúne os 34 municípios lindeiros ao lago de Furnas, assim como a prefeita anfitriã, Dulce Naves B. Gambogi, enfatizaram a necessidade de união entre todos os municípios interessados e mais ainda, que as ações tenham uma única coordenação para que se evite a dispersão de forças e possam ser atingidos os objetivos do interesse de todos.

A reunião contou com a presença de aproximadamente 100 convidados e na oportunidade o jornalista Paulo Coelho apresentou, durante sua palestra, farta documentação que comprova suas teses que procuram melhor explicar o estado crítico dos atuais níveis do lago de Furnas, contrapondo-se às desculpas governamentais que remetem a São Pedro os resultados de uma política deliberada de sucateamento do setor energético e da má gestão dos recursos hídricos, em detrimento deste Estado e com benefícios econômicos mais que evidentes para São Paulo e Paraná.

Ed. 226 - 15/06/2001

FURNAS poderá ser esvaziada

mapa_furnasPaulo Coelho – prcrocha@gmail.com

Tolos, incompetentes, profetas do caos, distribuidores de más notícias, corvos e outros adjetivos mais pejorativos foram os que muitos, que hoje são figuras de proa no atual governo, deles se utilizaram para criticar matérias deste jornal sobre a possibilidade que hoje, infelizmente, já é quase realidade.

No rádio, na tribuna da Câmara ou nas esquinas, tais figuras não perdiam tempo, especialmente em época de campanha, para denegrirem a imagem do jornal ou de seu editor.

Éramos os “portadores das más notícias”, as aves agourentas que só mostravam o que de ruim tem ou tinha a cidade.

De lixo FIAT a estradas mal conservadas, de dioxina à possibilidade da seca em Furnas, tudo servia de mote para o palanque.

Pois bem: enquanto o grupo de bajuladores permaneceu em suas tarefas rotineiras de todos bem conhecidas e ao invés de irem à luta contra os interesses de São Paulo e até da nação que a qualquer hora poderiam se sobrepor aos deste município e aos do próprio Estado de Minas; enquanto todos andavam preocupados com os acertos de um tal PMDB que se rachava sob o comando de cidadãos de passado mais que conhecido em matéria do trato dos interesses próprios e não os do povo, o governo de São Paulo, a própria Furnas e poucas cidades onde a inteligência falou mais alto, cuidaram de se proteger.

E, o resultado está aí.

Boa Esperança, com seu dique abocanha o turismo regional. Outras, no entanto, se contentam com o empréstimo de uma máquina velha ou de uma promessa de ajuda sabe-se lá, quando!

Agora, a Agência Nacional de Águas (ANA), através de seu presidente, Jerson Kelman, anuncia que está em estudos pelo ONS a alternativa de total esvaziamento do lago.

É ruim, afirmou o presidente, ” mas o cobertor é curto e temos que buscar uma alternativa de menor custo.”

Assim, os reservatórios de Furnas, Mascarenhas de Moraes, Marimbondo e Água Vermelha, deverão ser trazidos para o nível mínimo para que a produção de soja brasileira possa ser escoada.

Aprovada a sugestão da ANA, Furnas passaria a funcionar como “usina de fio d’água” o que vem de encontro a mais uma de nossas afirmativas de que o funcionamento da usina é garantido apenas pelo volume d’água oriundo do Rio Grande e que, portanto, o reservatório, como o próprio nome indica, serviria apenas para períodos de estiagem longa, superior a cinco anos.

Mas, os problemas políticos, e esta foi outra de nossas teses, fizeram com que as águas fossem repassadas para o Estado do Paraná e a geração se concentrasse em ITAIPU.

“Com as águas saindo das barragens mais acima no rio, as situadas mais abaixo, serão cheias o que permitirá o aumento na geração das usinas no percurso”, afirmou o homem.

“Se esta solução não for adotada, o reservatório de Ilha Solteira sofreria uma baixa de 9 metros pela movimentação das turbinas o que inviabilizaria o uso, para o transporte de grãos, dos rios que servem a usina.”

A proposta da ANA permitiria o funcionamento da hidrovia até agosto e por ela deverão ser escoadas 700 mil toneladas de soja como ocorreu no ano passado.

Entretanto, é preciso esclarecer à população que o esvaziamento não será total. No caso de Furnas, deverão permanecer ainda algo em torno de 5 bilhões de metros cúbicos, considerados pelos técnicos como “volume morto” e que darão sustento a agricultores e populações vizinhas que dependem diretamente da água, inclusive para o sustento e irrigação. Em nossa opinião, mais de 95% dos dependentes da água estarão irremediavelmente prejudicados.

Kelman, o atual presidente da ANA, trabalhou durante toda a década de 90 em instituições ligadas à gestão de recursos hídricos e encarregou a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, através do Professor Giorgio Briguetti pra promover a avaliação das alternativas cabíveis para a manutenção em funcionamento da hidrovia.

O transporte por rodovia tem o custo três vezes superior ao da hidrovia e a solução futura está na construção de mais duas eclusas em Ilha Solteira que o governo brasileiro por economia deixou de construí-las conforme recomendava o projeto inicial.